Cinemas perdem 600 mil espectadores e 31% das receitas num ano. Antigo King de Lisboa à venda por 1,7 milhões

  • ECO e Lusa
  • 8 Agosto 2025

Dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) mostram quebra de 35,7% no número de espectadores nas salas de cinema em Portugal no mês de julho, com perdas superiores a 31% nas receitas.

As salas de cinema portuguesas registaram uma quebra de 35,7% no número de espectadores em julho face ao mesmo mês de 2024, com perdas superiores a 31% na receita, revelou esta sexta-feira o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).

Em julho, os cinemas portugueses contaram 1,1 milhões de espectadores, acima do milhão registado no mês anterior, mas um terço abaixo dos 1,7 milhões de julho do ano passado.

No que diz respeito às receitas, julho somou 7,3 milhões de euros, uma quebra de 31,6% em relação a julho do ano passado, quando se fixaram em 10,7 milhões de euros.

Ainda assim, no acumulado do ano, há subidas face a 2024, quer em termos de espectadores (2,8%) quer em receitas (6,7%).

Os filmes mais vistos do mês foram todos produções norte-americanas, com “F1”, de Joseph Kosinski, a encabeçar a lista, sendo também a sexta obra mais vista do ano em Portugal, com um total acumulado de 272 mil espectadores desde a estreia, no fim de junho.

O filme português mais visto do ano continua a ser “On Falling”, de Laura Carreira, com 13 mil espectadores desde a estreia, em março.

Antigo Cinema King em Lisboa de novo à venda por 1,7 milhões de euros

O espaço do antigo Cinema King, em Lisboa, está novamente à venda por 1,7 milhões de euros, sem ter ainda a autorização do Ministério da Cultura para desafetação de atividade cinematográfica.

Fonte da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) disse à Lusa, na semana passada, que o Ministério da Cultura recebeu, em maio, um pedido de desafetação de atividade cinematográfica do antigo Cinema King, mas ainda não tinha emitido parecer por falta de informações do proprietário.

“Analisado o requerimento em causa e tendo sido verificado que o mesmo carecia de vários elementos e esclarecimentos adicionais, foi solicitada informação ao requerente, aguardando-se, até à presente data, resposta à notificação efetuada pela IGAC”, explicou a mesma fonte.

Num anúncio online publicado por uma agência imobiliária, o antigo Cinema King, que fechou portas em 2013, é apresentado como “um espaço comercial de grande dimensão no coração de Alvalade”, com “um enorme potencial para múltiplas utilizações — clínicas, centros de escritórios, ginásios, espaços educativos, culturais ou tecnológicos, entre outros”.

Com um preço de venda de 1,7 milhões de euros, o espaço tem uma área bruta de 2.211 metros quadrados distribuídos por três pisos, e nas imagens disponibilizadas no anúncio é possível ver o interior vazio de uma das salas de cinema, sem as cadeiras.

O anúncio não explicita que o espaço pode voltar a exibir cinema, mas de acordo com a lei atual (decreto-lei 23/2014), a demolição de recintos de cinema, ou a sua afetação para outra atividade que não a cinematográfica, depende de autorização da tutela governativa da Cultura. A autorização é emitida pelo Ministério da Cultura, com base em pareceres da IGAC.

O Cinema King era explorado desde os anos 1990 pelo produtor e exibidor Paulo Branco, que decidiu encerrar portas em 2013 por considerar que o valor da renda era “incomportável”.

O espaço do antigo cinema esteve anteriormente à venda, mas não chegou a ser concretizada. Em 2014, pouco depois do encerramento, houve uma tentativa de venda em leilão, mas foi anulada pelo administrador de insolvência e por uma comissão de credores.

As instalações eram propriedade da Sociedade Imobiliária Olívia, que entrou em processo de insolvência. Na altura, alguns bancos estavam entre os credores das dívidas.

O Cinema King chegou a ter três salas para exibir, sobretudo, cinema independente, e nele funcionava ainda uma livraria e serviço de cafetaria. Neste cinema, antes de se designar King, existiu originalmente o Cinema Vox – uma só sala, em plateia, com mais de 500 lugares, inaugurada em abril de 1969, que encerrou em janeiro de 1985. Ainda nos anos 1980, durante um curto período, acolheu concertos ao vivo, sobretudo de bandas portuguesas, sob o nome Espaço Voxmania.

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