Exportações portuguesas para os EUA travam quase 40% antes da aplicação das tarifas
Vendas de bens desaceleram em junho após terem aumentado em maio, num mês marcado por uma forte queda das vendas de produtos químicos para os EUA. Défice comercial sobe para 2.348 milhões de euros.
As exportações portuguesas de bens desaceleraram em junho, com as vendas para os Estados Unidos a afundarem 39,4% antes da entrada em vigor das novas tarifas anunciadas por Donald Trump. As descidas foram lideradas pelos produtos químicos, de acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
As exportações registaram uma descida de 0,1% em junho em termos homólogos, depois de terem aumentado 2,5% em maio. Já as importações cresceram 3,9% no sexto mês do ano. Excluindo as transações sem transferência de propriedade (TTE), observaram-se subidas em ambos os fluxos: 2,1% nas exportações e 5,1% nas importações.
A política comercial norte-americana parece já está a fazer mossa nas vendas portuguesas para os EUA. Segundo o INE, “em junho de 2025, e tendo em conta os principais países parceiros de 2024, salienta-se o decréscimo das exportações para os Estados unidos (-39,4%), essencialmente químicos. Em sentido contrário, destaca-se o aumento das transações para a Alemanha (+16,4%), principalmente material de transporte“, detalha o mesmo comunicado.

Os anúncios de novas tarifas por parte da administração norte-americana sobre as importações europeias estão a refletir-se negativamente nas vendas para os EUA, com a ausência de previsibilidade (antes de ser fechado o acordo entre os dois blocos) a levar a um congelamento de encomendas.
Apesar deste travão nas vendas para os EUA em junho, o saldo das exportações globais na primeira metade do ano foi positivo. Os resultados do primeiro semestre do ano revelam que as exportações aumentaram 3,1%, em termos homólogos (-1,4% no mesmo período de 2024).
Já as importações aumentaram 6,9% no 1º semestre de 2025, em termos homólogos, uma evolução que compara com uma descida de 2,7% no mesmo período de 2024.
Em termos de categorias de produtos, as transações de combustíveis e lubrificantes caíram 28,3% em junho, sobretudo para Espanha, enquanto os fornecimentos industriais também se destacaram com uma quebra de 10,8%, “maioritariamente produtos químicos exportados para os Estados Unidos”, explica o INE.
No que diz respeito às importações, que subiram 3,9% em junho, o INE realça aumentos das importações de produtos alimentares (+12,9%), maioritariamente produtos agrícolas importados de Espanha, e de material de transporte (+9,8%), sobretudo automóveis de passageiros. O único decréscimo registou-se nas importações de fornecimentos industriais (-3,7%), “maioritariamente produtos Químicos importados da Irlanda, correspondentes, sobretudo, a transações com vista
a trabalho por encomenda (sem transferência de propriedade)”.
O défice da balança comercial de bens atingiu 2.348 milhões de euros, em junho, aumentando 337 milhões quando comparado com junho de 2024 e diminuindo 886 milhões face ao mês anterior.
(Notícia atualizada às 11:34)
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