Nvidia e AMD vão pagar aos Estados Unidos 15% das vendas de chips à China

  • Lusa e ECO
  • 11 Agosto 2025

Imprensa internacional avança que a Nvidia planeia partilhar 15% da receita proveniente das vendas do seu chip H20 na China e a AMD entregará a mesma percentagem das receitas do MI308.

Os gigantes dos semicondutores Nvidia e AMD concordaram em pagar aos Estados Unidos 15% das suas vendas de chips avançados de Inteligência Artificial (IA) à China, avançaram vários meios de comunicação social.

A Nvidia planeia partilhar 15% da receita proveniente das vendas do seu chip H20 na China e a AMD entregará a mesma percentagem das receitas do MI308, especificaram fontes não identificadas à agência Bloomberg, e aos diários norte-americano The New York Times, e britânico Financial Times, que falaram sob condição de anonimato.

O Financial Times noticiou na sexta-feira que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos começou a emitir licenças para as vendas do H20 nesse dia, depois de o presidente executivo (CEO) da Nvidia, Jensen Huang, se ter reunido na quarta-feira anterior com o Presidente Donald Trump na Casa Branca.

O acordo para retomar as exportações de chips avançados para a China pode render mais de 2 mil milhões de dólares (1,71 mil milhões de euros) aos Estados Unidos, considerando que, antes das restrições à exportação, a Nvidia vendia cerca de 15 mil milhões dólares (12,9 mil milhões de euros) em chips H20 para a China e a AMD planeava vender cerca de 800 milhões de dólares (685,8 milhões de euros) do seu MI308.

No domingo, o diário britânico deu conta, citando fontes oficiais norte-americanas, que a Administração Trump ainda não determinou como usar o dinheiro resultante destes acordos sem precedentes, que, na prática, tornam o Governo norte-americano parceiro das duas empresas de tecnologia nas suas operações no gigante asiático.

Há um mês, a Nvidia obteve permissão para vender os seus chips mais avançados na China, mas a multinacional não tinha recebido ainda as licenças para vender esta tecnologia avançada, fundamental para o desenvolvimento da IA.

Segundo as fontes citadas pelos três órgãos de comunicação social, o acordo com a AMD afetará principalmente as vendas do seu chip MI308, que não pode ser vendido à China desde abril e que, tal como os chips da Nvidia, é vital para os centros de dados que permitem treinar modelos de IA em grande escala.

A Administração Trump congelou a venda de chips avançados para a China no início deste ano, quando as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo aumentaram.

Um porta-voz da Nvidia disse que a gigante dos semicondutores segue as regras de exportação dos Estados Unidos, acrescentando que, embora a empresa não envie chips H20 para a China há meses, espera que as regras lhe permitam continuar a concorrer no país asiático. A AMD não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Na semana passada, Trump disse que o setor de semicondutores pagaria 100% de tarifas, se as empresas que os produzem não investissem nos Estados Unidos, algo que gigantes como a taiwanesa TSMC se comprometeram fazer.

Este acordo é conhecido pouco antes do fim, na próxima terça-feira, da trégua de 90 dias que deveria permitir um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China para evitar uma guerra tarifária.

Esta solução incomum acorda pela Administração Trump com as empresas de tecnologia tem semelhanças com o acordo alcançado com a japonesa Nippon Steel para a compra da US Steel, que inclui a chamada “ação de ouro” (golden share), que dá poder de veto e maior voz nas decisões da empresa que afetam a segurança nacional dos EUA.

Entretanto, de acordo com o The Wall Street Journal, o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, deverá visitar a Casa Branca esta segunda-feira, depois de Trump ter pedido a sua demissão na semana passada devido a alegados laços com empresas chinesas, acusação levantada por um senador republicano do Arkansas, Tom Cotton, que substituiu o atual Secretário de Estado norte-americano, Marc Rubio, na Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos.

Nvidia nega “portas traseiras” em chips H20 após insinuações na China

Também esta segunda-feira, a Nvidia negou que os seus chips H20 incluam “portas traseiras” que permitam acesso ou controlo remoto, em resposta a comentários publicados na conta Yuyuan Tantian, afiliada ao canal estatal chinês CCTV, na rede social Weibo.

Num comunicado citado pela própria Yuyuan Tantian, a tecnológica norte-americana afirmou que a cibersegurança é de “importância crucial” para a empresa e garantiu que “não coloca portas traseiras nos seus chips para dar a alguém acesso ou controlo remoto”.

No domingo, a conta oficial chinesa indicou que alguns especialistas consideram tecnicamente possível integrar nos processadores de inteligência artificial funções como rastreio, localização ou desligamento remoto.

A publicação detalhou que estas funções poderiam incluir o bloqueio de licenças para inutilizar o chip em caso de uso não autorizado, o rastreio de localização através da comunicação com servidores de referência, a monitorização de parâmetros como estado, tarefas de treino ou volume de cálculo, e a limitação de uso em grandes clusters ou supercomputadores, restringindo a execução a modelos ou código previamente aprovados.

O comentário surge depois de, no final de julho, a Administração do Ciberespaço da China (CAC) ter convocado a Nvidia para esclarecer alegados riscos de segurança no H20, um modelo adaptado ao mercado chinês, na sequência das restrições dos Estados Unidos à exportação de chips avançados. Na ocasião, a CAC solicitou à empresa que apresentasse provas de que o produto não contém “portas traseiras”.

A polémica surge poucas semanas depois de Pequim ter celebrado a decisão de Washington de voltar a autorizar a venda destes chips no país asiático, após restrições impostas no quadro da guerra comercial entre as duas potências.

O H20 é uma das versões de menor capacidade adaptadas pela Nvidia para o mercado chinês, na sequência das limitações impostas nos últimos anos por Washington aos chips avançados usados em IA, um setor considerado estratégico tanto pelos EUA como pela China, que continua dependente de terceiros nesta área.

Sul-coreana SK Hynix espera crescimento anual de 30% do mercado de memória para IA até 2030

A sul-coreana SK Hynix prevê que o mercado de um tipo especializado de chip de memória projetado para inteligência artificial cresça 30% ao ano até 2030, disse um executivo sénior em entrevista à Reuters.

A projeção otimista para o crescimento global da memória de alta largura de banda (HBM) para uso em IA descarta as preocupações com o aumento das pressões de preços num setor que, durante décadas, foi tratado como um commodity, como petróleo ou carvão.

“A procura por IA por parte do utilizador final é bastante firme e forte”, disse Choi Joon-yong, chefe de planeamento de negócios de HBM da SK Hynix.

Os milhares de milhões de dólares em gastos de capital em IA que empresas de computação em nuvem como a Amazon, a Microsoft e a Google estão a projetar provavelmente serão revistos em alta no futuro, o que seria “positivo” para o mercado de HBM, acrescentou Choi.

Segundo o responsável da empresa sul-coreana, a relação entre a expansão da IA e as compras de HBM é “muito direta» e há uma correlação entre as duas, apontando que as projeções da SK Hynix são conservadoras e incluem restrições como a energia disponível.

Porém, o negócio de memória também está a passar por uma mudança estratégica significativa durante este período. A HBM — um tipo de memória dinâmica de acesso aleatório ou padrão DRAM produzido pela primeira vez em 2013 — envolve o armazenamento vertical de chips para economizar espaço e reduzir o consumo de energia, ajudando a processar os grandes volumes de dados gerados por aplicações complexas de IA.

A SK Hynix espera que este mercado de HBM personalizado cresça para dezenas de milhares de milhões de dólares até 2030. Devido às mudanças tecnológicas na forma como a SK Hynix e os seus concorrentes, como a Micron Technology e a Samsung Electronics, constroem a próxima geração de HBM4, os seus produtos incluem um chip lógico específico para cada cliente, ou “chip base”, que ajuda a gerir a memória.

Isto significa que já não é possível substituir facilmente o produto de memória de um concorrente por um chip ou produto quase idêntico.

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