Orsted afunda quase 30% depois de pedir aumento de capital de mais de 9 mil milhões de dólares

A dinamarquesa Orsted está a afundar em bolsa depois de um pedido de socorro aos acionistas, que representa praticamente metade do valor da capitalização da empresa.

A dinamarquesa Orsted está a afundar em bolsa esta segunda-feira, tendo perdido perto de 30% do valor, até chegar a um mínimo inédito. A quebra deu-se depois de a empresa ter pedido 9,4 mil milhões de dólares aos acionistas para financiar um projeto nos Estados Unidos, na sequência de dissabores relativamente aos apoios concedidos pela maior economia do mundo à indústria renovável, dado que o presidente, Donald Trump, se opõe às energias verdes.

Os 9,4 mil milhões de dólares representam uma percentagem muito significativa do valor da empresa de energias renováveis dinamarquesa, que ronda os 20 mil milhões de dólares. “A Orsted e a nossa indústria estão numa situação extraordinária face aos desenvolvimentos de mercado adversos nos Estados Unidos, que se soma aos desafios macroeconómicos da cadeia de valor dos últimos anos”, justificou o CEO, Rasmus Errboe.

A Orsted pretende que dois terços dos fundos angariados sejam usados para financiar a construção de um projeto na costa dos Estados Unidos, o Sunrise Wind, depois de potenciais parceiros terem desistido do projeto na sequência de uma ordem de Trump para que um parque eólico vizinho, da concorrente Equinor, parasse a construção, no passado mês de abril. Uma ordem que acabou por ser revertida no mês posterior, mas que agitou as “águas” na indústria offshore.

O CEO da Orsted afirma que o risco percecionado pelos investidores desde então “aumentou significativamente”. O terço remanescente do total de 9 mil milhões serviria para financiar projetos de 8,1 gigawatts que estão em construção e que têm como horizonte para a operação o ano de 2027.

A Orsted está a desvalorizar 29,9% para as 216,1 coroas dinamarquesas esta segunda-feira, um mínimo histórico. Desde o início do ano, conta uma perda acumulada de 33,22%, sendo 2025 o quinto ano consecutivo no qual as ações afundam em terreno negativo.

A 31 de dezembro de 2020, a empresa negociava nas 1.243 coroas dinamarquesas. A partir daí, terminou 2021 com uma quebra de 32,8% e 2022 com menos 24,4%, 2023 com o registo mais negativo, um deslize de 40,7% e em 2024 perdeu 13,4%.

A Reuters dá conta de nove recomendações que foram revistas a 11 de agosto. Apenas uma, do banco Santander, melhorou, para “neutral”. As restantes foram revisões em baixa. Três casas de investimento não identificadas recomendam agora “manter”, duas além do Santander avaliam como “neutral”, uma delas da autoria de um analista da Oddo BHF.

Bernstein e outra casa não identificada colocam como recomendação “em linha com o mercado”. Também esta segunda-feira surge uma nova recomendação, de uma casa de investimento não identificada, que aconselha a compra. Os preços alvo associados às recomendações desta segunda-feira situam-se entre as 225,44 coroas dinamarquesas e as 430 coroas.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Orsted afunda quase 30% depois de pedir aumento de capital de mais de 9 mil milhões de dólares

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião