Altaz Capital torna-se acionista da marca Isto. Moda do Príncipe Real vai vestir-se em Nova Iorque

'Slow fashion' nacional vai entrar em Londres e nos Estados Unidos, após investimento da sociedade de capital de risco. Loja de Campo de Ourique reabre em outubro como ateliê de arranjos de costura.

A tempo das compras de Natal de 2018, a marca de moda masculina Isto abria a primeira loja no Palacete Ribeiro da Cunha, comummente conhecido como Embaixada, no Príncipe Real, em Lisboa. Seis anos e meio depois, a empresa continua a priorizar os bairros mais glamorosos da capital portuguesa – Amoreiras, Campo de Ourique e Chiado – mas prepara-se para ‘costurar’ mais alto e abrir novos espaços em Madrid, Londres e Nova Iorque.

A internacionalização para as maiores metrópoles da moda (fica só a faltar Paris e Milão) é possível graças ao novo investimento da sociedade Altaz Capital, que entrou no capital da Isto com a aquisição de uma participação minoritária e reforço da equipa de gestão. Sérgio Massano e André Flórido, sócios da Altaz, passaram a ser também managing partner e administrador financeiro (CFO), respetivamente.

“Por decisão de todos os acionistas da Isto, decidimos não partilhar os termos do investimento nem das percentagens que detêm na empresa. A Altaz Capital vem para se tornar um parceiro operacional e acionista relevante. A Isto Lda. continuará sempre maioritária“, diz ao ECO o empresário Pedro Palha, que fundou a empresa com Vasco Mendonça e Pedro Gaspar.

A parceria estratégica visa fazer crescer o negócio cerca de 10 vezes nos próximos 30 meses. “Este crescimento vai ser acompanhado de forte investimento em tecnologia, logística e reforço da ligação e colaboração com o tecido empresarial têxtil português. A qualidade dos produtos e a transparência do negócio mantêm-se intocáveis, onde só cabe confecção portuguesa”, adianta o cofundador.

"A Altaz Capital vem para se tornar um acionista relevante. A ISTO Lda. continuará sempre maioritária. Vamos investir em tecnologia, logística e reforçar a ligação ao têxtil português”

Pedro Palha

Cofundador da Isto

Apesar da entrada no Reino Unido, Estados Unidos e Espanha, além da Alemanha onde já tem uma loja (Berlim), a marca de moda masculina pretende ter uma “pegada global sem esquecer as raízes portuguesas e os valores” de transparência (discriminação de todos os valores), intemporalidade, qualidade e produção nacional. Daí também estar à procura de um local no Porto, onde chegou a ter uma pop-up store, para a expansão nacional.

No ano passado, a Isto teve um volume de negócios de 3,1 milhões de euros e prevê fechar este ano com cinco milhões de euros de vendas, sobretudo online, uma vez que o e-commerce representa a maioria (62%). É por esse motivo que a empresa abriu no início de agosto uma vaga de trabalho para responsável de comércio digital (head of e-commerce) em Lisboa.

A faturação aumenta, porque as t-shirts e camisas da Isto estão a chegar a outros públicos, além dos portugueses e turistas que passam por Lisboa, tendo sido referenciadas em publicações internacionais como o Financial Times, que no verão passado esteve na fábrica têxtil da Somelos em Guimarães a testemunhar como as máquinas estão programadas para tecer apenas a quantidade de tecido necessária para as encomendas específicas e garantir o mínimo de desperdício.

Isto divulga todos os custos de produção de cada item de roupa ou acessório

Campo de Ourique torna-se ‘ateliê de costura’ em outubro

O outono chega com nova coleção e nova estratégia: reparação. A quarta loja da Isto, no bairro lisboeta de Campo de Ourique, está temporariamente encerrada para ser transformada numa repair shop (loja de reparação) em prol do “compromisso com a durabilidade e circularidade”.

O estabelecimento irá dedicar-se a arranjos de costura e aceitar tanto produtos novos como usados (da Isto e de outras marcas) para remendos, dobras, etc. A previsão de abertura é o próximo dia 1 de outubro, revela Pedro Palha ao ECO.

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