Marcelo espera que incêndios fiquem fora do debate das autárquicas
Presidente garantiu ainda que a relação com o primeiro-ministro "nunca esteve doente", pelo contrário "esteve sempre saudável". Marcelo diz que ambos têm acompanhado "permanentemente" os fogos.
Perante uma “distância muito curta e com eleições [autárquicas] já marcadas”, Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu esta quarta-feira aos autarcas, candidatos autárquicos e a “todos” os partidos políticos por “resistirem à tentação de utilizar, em tempos de combate aos fogos, os incêndios como tema de campanha eleitoral”.
“Estou feliz como Presidente da República por ter a certeza que nenhum candidato a nenhuma eleição utilizará o tema dos incêndios como tema eleitoral”, afirmou aos jornalistas após a habitual reunião semanal entre Marcelo e Luís Montenegro, que se realizou na Câmara de Faro e não no Palácio de Belém, já que ambos estão a gozar férias no Algarve.
Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou ainda que não estava a fazer um aviso mas antes a agradecer “aquele que tem sido o comportamento cívico” de não se utilizar o tema dos fogos em campanhas.
O chefe de Estado garantiu ainda que a relação com o primeiro-ministro “nunca esteve doente”, pelo contrário, “esteve sempre saudável” apesar do veto à lei da nacionalidade depois do chumbo a cinco normas pelo Tribunal Constitucional. E reiterou que ambos têm acompanhado “permanentemente” o que se tem passado nos incêndios do país.
O chefe de Estado garantiu que ambos não se têm pronunciado sobre os fogos, por respeitarem “o que ficou decidido desde 2017/18 quanto à intervenção do poder político” e porque “não querem agravar, em termos de alarme, para além daquilo que é verdadeiramente a situação, que é reconhecida, e que tem o alerta prolongado até sexta-feira às 24 horas”.
Marcelo chamou também à atenção para o “agravamento das condições meteorológicas” nas últimas três semanas, algo que ainda continua. “É preciso dizer essa verdade aos portugueses. O que se passou em Piódão e Sátão teve a ver com fenómenos de natureza excecional, que não tem precedentes e explica como hoje essa é a situação mais grave que está a ser combatida, de entre as 50 e tal ocorrências”, acrescentou.
Segundo o Presidente da República, tendo por base as previsões meteorológicas, o dia mais preocupante é o da próxima sexta-feira, por haver uma “convergência de condições de natureza meteorológica e física que pode apontar para uma situação muito propícia à permanência ou agravamento de incêndios e de fogos florestais, em particular naquela zona, mas não necessariamente só aí”.
O chefe de Estado deixou uma palavra de agradecimento a toda a estrutura de combate e resposta aos incêndios, defendendo que “não há comparação possível” com os incêndios de 2017 uma vez que, na altura, apesar de haver uma estrutura de proteção civil, esta “não tinha o grau de coordenação nem os bombeiros tinham o grau de capacidade de liderança que hoje têm”, assim como outras “instituições fundamentais”, como a GNR, não tinham “o grau de capacidade de resposta que hoje têm”.
Marcelo sublinhou ainda o facto de, até ao momento, ter sido possível “preservar a vida humana e, na medida do possível, as povoações e bens materiais”.
O primeiro-ministro não fez declarações à saída da reunião.
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