Claire’s declara falência nos EUA e admite venda no Reino Unido. Lojas em Portugal mantêm-se abertas

Empresa de acessórios e brinquedos entrou em recuperação judicial no Reino Unido, dias após a segunda insolvência nos EUA em sete anos. "Neste momento” não se prevê o mesmo processo para Portugal.

A cadeia de acessórios e brinquedos Claire’s declarou falência nos Estados Unidos, pela segunda vez em sete anos, e está em processo de recuperação judicial no Reino Unido, mas a operação portuguesa mantém-se em funcionamento “neste momento”.

As lojas Claire’s em Portugal “mantêm-se abertas e operacionais”, apesar da insolvência da sociedade norte-americana e de ter em cima da mesa a hipótese de venda no mercado inglês. “O processo de insolvência não afeta as lojas europeias. Não existe qualquer pedido de insolvência ou reestruturação em Portugal neste momento”, informou fonte oficial da empresa ao ECO.

Na quarta-feira, a consultora internacional Interpath anunciou que tinham sido nomeados dois administradores para explorar as opções para o futuro da Claire’s Accessories UK, que opera as 306 lojas da Claire’s no Reino Unido e na Irlanda, onde trabalham 2.150 pessoas. Embora ainda não tenha havido um procedimento formal de abertura de insolvência, desde então, não é possível fazer encomendas online e os clientes britânicos só podem fazer compras nas lojas físicas.

Os administradores da Interpath admitem a venda do negócio britânico. “Nas próximas semanas, vamos esforçar-nos para continuar a operar todas as lojas em funcionamento durante o maior tempo possível, enquanto avaliamos as opções para a empresa. Isto inclui explorar a possibilidade de uma venda que garantiria um futuro para esta marca tão querida”, afirmou o CEO da Interpath no Reino Unido, Will Wright.

“A Claire’s é, há muito tempo, uma marca popular no Reino Unido, conhecida não só pelos seus acessórios que seguem as tendências, mas também como o destino ideal para piercings nas orelhas”, realçou o gestor e administrador judicial, em comunicado.

A nomeação, que também abrange a Claire’s European Services Limited e a Claire’s European Distribution Limited, surge na sequência de, no passado dia 6 de agosto, a Claire’s Holdings LLC ter iniciado um processo voluntário de recuperação judicial nos Estados Unidos (ao abrigo do capítulo 11 da lei de insolvência ou Chapter 11) e sinaliza que o processo pode não ficar por aqui.

No mercado há mais de 60 anos, a Claire’s tem sede nos subúrbios de Chicago, apresenta-se como a “melhor amiga das raparigas” e tem mais de 2.750 lojas da marca espalhadas por 17 países da América e da Europa. O grupo conta ainda com 190 lojas nos Estados Unidos que operam através da insígnia Icing e tem os seus produtos à venda em “milhares” de lojas concessionadas na Europa e América do Norte, além dos aproximadamente 300 franchises localizados sobretudo no Médio Oriente e na África do Sul.

Em 2018, aquando da primeira declaração de insolvência, tinha cerca de 7.500 lojas em mais de 40 geografias.

A história da Claire’s remonta aos anos 1960, quando o empresário Rowland Schaefer fundou uma marca chamada Fashion Tress Industries que sobressaiu no negócio das perucas, enquanto na zona de Chicago ia crescendo uma outra cadeia de lojas de acessórios com o nome Claire’s Boutiques.

A ideia era ter um público-alvo de adolescentes e mulheres jovens que, por não terem capacidade financeira para acessórios de gamas mais altas, podiam apostar em brincos, pulseiras, bandoletes mais acessíveis que elevassem o look sem ter de comprar roupas novas. A oferta acabou por aumentar para outras bugigangas – inclusive elásticos e ganchos à medida que as senhoras deixam os cabelos falsos nas prateleiras -– e levar Rowland Schaefer a comprar a empresa e, no início da década de 70, mudou o nome da sua Fashion Tress Industries para Claire’s Stores.

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