Festa do Pontal. Montenegro anuncia novo hospital em PPP e regresso de Fórmula 1 ao Algarve
No início de outubro, o Governo vai lançar o concurso internacional para a construção do novo hospital em regime de PPP para que entre em funções em 2030, num investimento de 800 milhões de euros.
O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, anunciou esta quinta-feira a construção no novo Hospital Central do Algarve, tal como o ECO adiantou, num investimento de 800 milhões de euros, e o regresso da Fórmula 1 à mesma região.
“Estamos em condições de anunciar que, o mais tardar, no início de outubro vamos lançar o concurso internacional para a construção do Hospital Central do Algarve em regime de parceria público-privada (PPP) para que o inicio arranque em 2027 e para que possa iniciar em funções em 2030, num investimento de 800 milhões de euros”, afirmou o presidente social-democrata a partir da Festa do Pontal, na Quarteira, o momento que marca a rentrée política do PSD.
A fazer mira para as autárquicas, de 12 de outubro, Luís Montenegro lançou outra novidade para a região, dando assim balanço ao candidato social-democrata, Cristóvão Norte, à Câmara de Faro. “Uma das circunstâncias que mais contribuiu para a promoção do país e também desta região são os grandes eventos. Assegurámos a realização do MotoGP, a prova mãe do motociclismo, a nível mundial para 2025 e 2026, e estou em condições de vos dizer que temos tudo pronto para formalizar o regresso da Fórmula 1 ao Algarve no próximo ano de 2027. Estes eventos implicam algum esforço financeiro por parte do Governo, mas têm um retorno, quer financeiro direto, quer indireto de promoção que valem sinceramente a pena”, afirmou.
Anunciou ainda “financiamento para as barragens de Alportel e da Foupana” e a “criação de uma entidade de gestão integrada da Ria Formosa” para promover a reabilitação e o aumento da oferta de habitação de toda aquela zona.
Não poupou críticas aos telejornais que dividiam os ecrãs com incêndios e imagens da Festa do Pontal para defender: “Estamos a fazer o esforço máximo. Estamos completamente solidários. Estamos a acompanhar a situação a toda a hora. De forma discreta, mas, acreditem, muito próxima. Não é a meio da guerra que vamos fazer a discussão. Vamos primeiro ganhar a guerra.”
“Sabemos que esta é uma festa, mas temos sentido de responsabilidade. É possível fazermos isto ao mesmo tempo que estamos a fazer tudo para ajudar todos aqueles que estão a sofrer”, diz Montenegro, autojustificando-se pelo facto de estar a fazer este tipo de eventos enquanto uma parte do país arde.
O primeiro-ministro diz respeitar os critérios editoriais das televisões que neste momento estão a passar em simultâneo imagens do Pontal e dos incêndios que lavram no país. Mas acrescenta: “mesmo neste contexto, o PSD tem direito de falar com os seus e de falar ao país”.
A este respeito, assume que ainda “há muita coisa a fazer”. E sugere que o Governo está a preparar uma moldura penal mais severa para todos aqueles que são criminalmente responsáveis por incêndios.
Sobre o chumbo do Tribunal Constitucional (TC) à lei dos estrangeiros, Montenegro avisou que a lei é para “continuar não obstante alguns percalços”.
“Quero dizer de forma muito clara: para nós, é normal que o senhor Presidente da República possa ter dúvidas e remetê-las para o Tribunal Constitucional. É normal e deve ser respeitado. O que não é normal é que haja partidos políticos que peçam ao TC que faça um juízo político”, nota o primeiro-ministro, deixando ainda uma crítica velada aos juízes: “não é normal” que substituam o juízo jurídico pelo juízo político.
“Não andamos preocupados com esquerdas e direitas. A minha função é resolver problemas. Estou preocupado com as pessoas. O Governo está preocupado com o futuro do país. Às vezes, fico até um pouco perplexo porque vejo tanta gente a explorar pontos de vista sob a capa da independência com um vigor tal… É estranho haver um clubismo tão grande por parte de quem [pretensamente] não tem clube”, atira Montenegro, numa referência assumida aos comentadores que têm criticado o Governo.
Montenegro promete novo excedente
Virando a agulha para a situação económico-financeira, o primeiro-ministro puxou dos galões ao afirmar que “hoje os trabalhadores estão a pagar menos impostos, as empresas estão a pagar menos impostos”. “Portanto nós temos hoje mais capacidade para trabalhar, mais força de trabalho. Nunca tantas pessoas estiveram a trabalhar em Portugal. A taxa de desemprego está historicamente baixa. E o investimento está a subir”, sublinhou.
E prometeu um novo excedente no final do ano contra as estimativas dos mais pessimistas: “A nossa economia, apesar da conjuntura internacional, está com um bom desempenho. E vamos uma vez mais surpreender os mais pessimistas no final do ano. E vamos surpreender do ponto de vista financeiro. Eu não tenho dúvidas que vamos chegar ao final do ano e vamos ter novamente um superávite nas contas públicas”.
Depois de ter voltado a declarar guerra à burocracia e sublinhar a importância da reforma do Estado, Montenegro mencionou três medidas importantes para cidadãos e empresas: “A morada do cartão do cidadão quando alterada vai passar automaticamente a ter validade em todas as áreas da Administração Pública, não sendo necessário ir a outro departamento; quando alguém perde a carteira, vamos criar uma funcionalidade para com um só pedido pedir todos os documentos de uma só vez; e vamos criar uma carteira virtual para as empresas onde vão poder ter todos os documentos sempre que tiverem de concorrer a alguma coisa”.
Sobre a privatização da TAP, garantiu que o único objetivo é que seja “viável”. “Queremos que a TAP possa ombrear com as melhores”, defendeu.
Sem novidade de maior para a saúde, tirando o novo hospital do Algarve, Montenegro reconheceu que “é um setor muito difícil, mas é difícil porque o ponto de partida era muito mau”. “As mudanças demoram algum tempo a surtir efeito”, admitiu o primeiro-ministro.
(Notícia atualizada às 23h09)
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