Autarcas do Douro querem turistas das quintas e cruzeiros em contacto com população para criar mais valor económico
Autarcas do Douro querem que os turistas dos cruzeiros e quintas passem a contactar com a população e costumes para criar mais valor económico no território. Apelam ao contributo do setor turístico.
“Os turistas entram na nossa região diretamente para uma quinta — que tem um serviço extraordinário — mas depois vão embora. Não têm contacto com um duriense ou uma taberna, nem sequer usufruem da cultura tradicional das povoações” vizinhas, começa por notar o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro que desafia o setor turístico da região vinhateira a participar numa mudança de paradigma.
O objetivo, diz Luís Machado, é envolver a as gentes da terra na hospitalidade, “criar valor [económico e sustentável] para quem vive e investe” neste território Património Mundial da Unesco.
A CIM “quer fazer uma coisa fora de caixa e provocar o setor da hospitalidade [desde o alojamento, restauração até à atividade vinícola] para pensar a hospitalidade de forma diferente, cruzando os saberes, gastronomia, tradições de modo a envolver todos” desta Região Demarcada do Douro. Até porque, justifica Luís Machado, “a hospitalidade não se vive apenas nos hotéis ou restaurantes, começa na rua, nas nossas atitudes, nos nossos pequenos comércios, nos nossos territórios”.
Por isso mesmo, a CIM Douro desafia o setor turístico a aliar-se nesta mudança da hospitalidade nesta região vinhateira. O objetivo é que o turista não se limite a visitar a região vinhateira em cruzeiros turísticos ou “se feche” nas quintas e hotéis quando se desloca à região e passe a contactar a população vizinha e seus costumes e cultura, criando valor económico e turístico para o território.
“Queremos que o turista vá à quinta, tenha essa experiência, mas simultaneamente ande nas nossas ruas, visite o nosso património, tenha contacto com a nossa cultura tradicional, com as nossas raízes”, vinca Luís Machado em nome dos 19 municípios que fazem parte desta CIM Douro, espalhados por quatro distritos (Bragança, Vila Real, Guarda e Viseu).

É com este propósito que a CIM Douro organiza nos dias 14 e 15 de setembro, na cidade de Lamego, a primeira edição do Host Douro, um encontro internacional para lançar o debate sobre o futuro do turismo, territórios e serviços do Douro, um destino turístico de excelência.
“A hospitalidade está, de facto, no ADN do Douro, a forma como nós acolhemos quem nos visita. Mas não tem sido tratada com um verdadeiro ativo estratégico e este evento nasce da convicção de que é tempo de mudar isso, ou seja, é tempo de valorizar e potenciar a nossa hospitalidade”, sustenta Luís Machado, também presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião.
Estarão à mesa diversos especialistas das mais diferentes áreas desde a ciência, a gastronomia — com chefes como Ricardo Costa, Rui Paula e Pedro Lemos –, o enoturismo, o design e serviço público. Este será “um espaço para repensar o que significa acolher, cuidar e criar experiências com impacto real.”
A hospitalidade não se vive apenas nos hotéis ou restaurantes; começa na rua, nas nossas atitudes, nos nossos pequenos comércios, nos nossos territórios.
Luís Machado está “convencido de que com esta nova abordagem da hospitalidade, o Douro será mais atrativo nos próximos anos e terá ainda mais visitantes”.
Situado Região Demarcada do Douro — a mais antiga área vitícola regulamentada do mundo –, o Alto Douro Vinhateiro foi inscrito, em 2001, na lista de Património Mundial da Unesco enquanto paisagem cultural, evolutiva e viva. Cada ano que passa atrai cada vez mais turistas. E os números falam por si: em 2024 os cruzeiros turísticos transportaram mais de um milhão de passageiros, de acordo com dados divulgados pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) em janeiro deste ano. Já os navios hotéis registaram um crescimento de 12,46%, totalizando 120.150 passageiros.
Ainda este ano a CIM lançou campanha “Que Douro És Tu?” que se adapta aos diferentes perfis de turistas que procuram o Douro, com experiências para todos os gostos, desde os aventureiros aos amantes de vinho, até aos que procuram apenas relaxar.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Autarcas do Douro querem turistas das quintas e cruzeiros em contacto com população para criar mais valor económico
{{ noCommentsLabel }}