Pedir ajuda europeia “não pode ser critério do primeiro-ministro nem palpite de nenhum político”, diz Montenegro

Primeiro-ministro considera que deve haver confiança em quem está no terreno e comanda operações. "Temos o maior dispositivo de sempre disponível", assegura.

Luís Montenegro considera que a ativação do mecanismo europeu de proteção civil “não pode ser critério do primeiro-ministro nem palpite de nenhum político”, recusando assim dizer se considera o momento escolhido o indicado, face às circunstâncias de incêndios que o país atravessa.

A ativação “tem regras de funcionamento, é um mecanismo de solidariedade. Fomos acompanhando do ponto de vista operacional as indicações que foram dadas de conciliação entre dispositivo de meios aéreos que temos e necessidade de poder reforçar. Faremos no final a avaliação se o timing foi exatamente o correto ou não”.

Perante críticas que se somam nos últimos dias, designadamente do secretário-geral do PS e do líder do Chega, o primeiro-ministro referiu, nas declarações aos jornalistas nesta segunda-feira, que pedir ajuda à Europa depende de “critérios de natureza operacional e de solidariedade entre todos os parceiros. Nós temos sido assolados, não é só em Portugal, é em vários países que fazem parte desse mecanismo. E não é só no sul da Europa, também no norte da Europa. Seguimos os critérios técnicos e operacionais, verificaremos no final se isso teve o enquadramento devido. A minha expectativa é que sim, mas nós seremos escrutinados como é normal numa democracia”.

Estamos todos muito esgotados, são dias e dias de sofrimento, de terror em muitos casos e é preciso mantermos o discernimento de respeitarmos aqueles que estão a tratar da nossa segurança

Luís Montenegro

Primeiro-ministro

O chefe do Governo entende as palavras de indignação dos autarcas, mas quer que a população acredite no dispositivo de combate aos incêndios e na liderança das operações, e assegura que o país tem em ação “o maior dispositivo de sempre disponível“.

O primeiro-ministro falou finalmente ao país, após, como referiu nesta segunda-feira, “24 dias seguidos de severidade meteorológica como não há registo no nosso país”. Falando no plural, referiu: “estamos todos muito esgotados, são dias e dias de sofrimento, de terror em muitos casos e é preciso mantermos o discernimento de respeitarmos aqueles que estão a tratar da nossa segurança”.

Montenegro dirigiu-se à sede da Proteção Civil, em Carnaxide, onde assistiu à conferência de imprensa com o comandante nacional de Emergência e Proteção Civil.

“Há muita gente que está sob pressão”, mas, disse, “há muita outra componente do dispositivo que tem evitado muitos outros incêndios que se não fossem atacados com esta prontidão inicial nos primeiros 90 minutos podiam ter propagação igual ou pior do que aqueles que hoje nos preocupam mais”.

“Precisamos de confiar. Quero dar esta palavra de confiança”, referiu o primeiro-ministro, que assegura que o país tem “o maior dispositivo de sempre disponível”.

Confrontado pelos jornalistas com declarações suas proferidas aquando de incêndios em anos anteriores, quando ainda não liderava o Governo, Montenegro recusa paralelo, respondendo com a gravidade meteorológica vivida nos últimos dias. “Eu respondo pelas minhas palavras em todas as alturas e todos os contextos. Convido-vos a irem revisitar o contexto dessas e outras palavras que eu possa ter dito ao longo da minha vida política, e depois de feito esse contexto, relacionar com o contexto atual“, que, defende, “é de uma severidade que não encontra paralelo no país“.

Antecipando uma possível confrontação da oposição no Parlamento, Montenegro assegura: “Respondei perante o país, responderei perante a Assembleia da República, e podem ter a certeza, fá-lo-ei com honestidade e com sentido de responsabilidade”.

Usando uma habitual metáfora bélica, como já tinha feito aquando da Festa do Pontal, o chefe do Executivo diz que “este é um combate do país. Estamos em guerra e temos de vencer esta guerra, e nós estamos ao lado dos combatentes“. Entre estes, detalha, conta não só bombeiros e autoridades, mas também a população.

(Notícia atualizada pela última vez às 14h09)

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