País tem de aceitar que é urgente investir centenas de milhões na prevenção de fogos, diz Marcelo
Em Mirandela, onde esteve da terceira vítima mortal num acidente no combate às chamas, Marcelo foi questionado sobre o que falhou, mas preferiu explicar o que é urgente "fazer ainda melhor"
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse este sábado que é preciso sensibilizar os portugueses para aceitarem que é urgente investir centenas de milhões de euros por ano na prevenção de incêndios nas zonas rurais do país.
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Em Mirandela, onde esteve no funeral de Adolfo Santos, a terceira vítima mortal num acidente no combate às chamas, Marcelo foi questionado sobre o que falhou. “Isto não é um problema dizer o que é que falhou, é o que é que é preciso fazer ainda melhor”, respondeu.
“É preciso sensibilizar todo o país que aceita facilmente que para circular numa grande metrópole 100, 200, 400 milhões sejam investidos nessa circulação e não acha ou não percebe que seja tão urgente investir 100, 200, 300 milhões na prevenção dos fogos“, acrescentou.
“Não é só pensar a prevenção, é pensar na solidariedade que tem de haver para que o país todos compreender que prevenir permanentemente, como estava ali aqueles sapadores, eles ganham umas centenas de euros e todo o ano estão permanentemente a prevenir”, sublinhou. “E é verdade que em Portugal os salários não são muito altos”.
O Presidente da República recordou que Portugal mudou muito ao longo dos últimos 50 anos. “Aumentaram as cidades, aumentaram as metrópoles e nas metrópoles e nas cidades o fogo é outra coisa e muitas vezes tem se dificuldade em perceber o drama de pequenas aldeias, como ainda acontecia ontem, hoje e pode acontecer nos próximos dias ou semanas que estão isoladas no cimo de montanhas e onde o acesso é muito difícil, a acessibilidade por parte do combate aos fogos”, explicou.
“Nem sempre é possível haver meios aéreos, porque o tempo fica tão baixo que eles não podem operar” lamentou.
“O que é facto é que lá estão aquelas aldeias deixadas à sua sorte, porque continuam a ter gente, pouca, mas continuam a ter gente. E este tipo de cerimónias, que se não fosse o papel da comunicação social que as faz chegar a quem vive nas grandes cidades e metrópoles, eram incompreensíveis, porque já não têm muitas dessas pessoas que lá vivem as raízes no campo que tinham”, vincou Marcelo. “E é neste país que há fogos, como os fogos rurais”.
Questionado sobre como é que se vai ajudar as famílias das vítimas mortais, Marcelo respondeu: “Para as famílias que perderam, por um lado há resposta que já existe hoje, e pelas medidas que foram anunciadas ontem pode ser aumentada e reforçada, e que não havia em 2017, não havia nada na lei que permitisse indemnizar vítimas mortais e houve que criar a partir do nada”.
“Hoje há, pode ser melhorado, pode ser desenvolvido. Há um leque de medidas que se vai aprendendo de fogo para fogo, que é preciso reforçar“, disse.
Para o Presidente da República, “uma das coisas importantes destas medidas é a seguinte, em vez de ter que se criar medidas para cada fogo, haver um quadro que se aplica, a todos os fogos, o que permita que o Governo instantaneamente, sem ter que ter de aprovar uma nova lei, possa fazer o que já disse que tenciona fazer”.
“É imediatamente começar a ir aos sítios e a entregar às corporações de bombeiros aquilo que pagaram e têm agora falta em termos financeiros, às famílias, não só das vítimas, mas às famílias todas que tiveram danos, de uma forma ou outra”, explicou o Chefe de Estado.
“Tudo isso vamos aprendendo. O que não havia, que depois passou a haver, depois passou a ser um processo lento, processo complicado e agora tem que ser cada vez mais rápido, mais completo na prevenção e mais rápido na reparação daqueles que são atingidos”.
(Notícia atualizada às 17h33 com mais citações)
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