Euronext conta primeiros 300 relatórios ESG de acordo com regras europeias

A Euronext afirma que, no seu universo de emitentes, as cotadas cumpriram com as obrigações de reporte que foram impostas este ano a nível europeu, com uma taxa de incumprimento "muito pequena".

Trezentas das empresas cotadas na Euronext, a dona da bolsa de Lisboa, já apresentaram os seus relatórios de sustentabilidade no âmbito da nova regulação europeia, e colheram um total de 279 mil milhões de euros em receitas alinhadas com a taxonomia europeia.

O levantamento é feito pela ‘dona’ da bolsa de Lisboa num universo de cerca de 1.550 cotadas, 88% das emitentes da Euronext, as quais foram analisadas para um estudo apresentado no âmbito da Semana da Sustentabilidade Euronext, o Relatório das Tendências ESG 2025.

No passado mês de fevereiro, a Comissão Europeia lançou um pacote de simplificação que incidia sobre três diplomas de sustentabilidade, entre eles a Taxonomia Europeia, que contém os princípios para identificação de atividades económicas sustentáveis, e a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD), que obriga as empresas a divulgarem informações sobre o impacto das suas atividades nas questões ambientais, sociais e de governança (ESG).

Após as alterações decorrentes do Omnibus, ficou definido que as primeiras empresas a terem de apresentar relatórios de sustentabilidade de acordo com a CSRD são as grandes empresas cotadas, já este ano, relativamente ao anterior. As grandes empresas que respeitem pelo menos dois dos três critérios que balizam o primeiro grupo, estão obrigadas a fazer o mesmo reporte mas apenas relativamente a 2027. Por fim, em 2028, entra o grupo das pequenas e médias empresas, mas podem adiar a concretização desta obrigação até 2030.

Apesar de a simplificação ter gerado algumas preocupações, a Euronext afirma que apoia o Omnibus, pacote no qual reconhece uma “boa intenção”, nas palavras de Camille Leca, responsável de ESG na Euronext. A mesma indica que o número de relatórios entregue está de acordo com as empresas elegíveis antes do Omnibus, mas conta que estas continuem a reportar daqui para a frente, apesar de a simplificação vir cortar o universo de empresas obrigadas a reportar de acordo com a CSRD. A taxa de incumprimento da obrigação de reporte foi “muito pequena”, indica a mesma.

O que importa é que os investidores e analistas sejam capazes de aferir a resiliência [das empresas] e capturar as tendências ESG na sua avaliação“, rematou Camille Leca, na apresentação do relatório à imprensa, que decorreu em conferência online, esta quinta-feira.

Desempenho na diversidade e energia melhoram

Em termos de diversidade e inclusão, o estudo deteta um aumento de 2,8 pontos percentuais na diversidade de género dos conselhos de administração, olhando aos dois anos que iniciam em 2022. Em 2024, 35,2% dos membros dos conselhos de administração analisados eram mulheres. A representatividade das mulheres em cargos de gestão subiu 1,1% em três anos. No que diz respeito à fatia de membros independentes nos conselhos de administração, esta também subiu no mesmo horizonte temporal, colocando-se nos 52,3% em 2024, quando em 2022 se ficava pelos 51,2%.

Os emitentes cortaram as respetivas emissões diretas e indiretas (de âmbito 1 e 2) de gases de efeito estufa em 10%, nos três anos terminados em 2024. Em paralelo, o reporte relativamente ao consumo de energia cresceu em 21% desde 2020 até 2024, ano no qual se contavam 739 empresas co esta prática. A energia despendida por cada unidade de receita, em oposição, diminuiu 7%, mostrando uma evolução positiva em termos de intensidade energética.

Os setores financeiro, das utilities e da tecnologia foram os que mais diminuíram os respetivos consumos de energia entre 2022 e 2024 (61%, 43% e 42%, respetivamente). No sentido contrário, de maior consumo, moveram-se o setor de consumer discretionary, ou seja dos bens de consumo não essenciais (122%), imobiliário (37%), Saúde (11%), consumer staples ou bens e consumo essenciais, que subiu 8% — e energia (4%). É importante notar que as empresas de utilities e as de energia são aquelas que mais consomem energia (36% e 34%, respetivamente).

Mais de 250 cotadas da Euronext estão comprometidas com a Science Based Targets iniviative (SBTi). Destas, 109 possuem estratégias de neutralidade carbónica, 217 têm objetivos de curto prazo aprovados pela SBTi, ou seja, 86%.

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