Exclusivo Depois do Brasil, Networkme já olha para América Latina e planeia ronda até 10 milhões
Com 24 pessoas na equipa, dos quais 15 no mercado português, a startup tem planos de contratar seis pessoas até ao final do ano e duplicar equipa em 2026.
Depois do Brasil, a portuguesa Networkme, plataforma que ajuda jovens a descobrirem qual carreira seguir e as empresas a recrutar talento jovem, já olha para uma potencial expansão para outros mercados da América Latina e planeia para o “segundo semestre de 2026” uma ronda série A, entre seis a dez milhões de euros.
No ano passado, a startup obteve um complemento de mais de 500 mil euros à ronda seed, injeção de capital que foi canalizada para dar músculo à entrada no mercado brasileiro. “O investimento complementar à ronda seed, feita em 2022, foi, de facto, direcionado grande parte para expansão no Brasil, dado o seu potencial de escala e maturidade de mercado. No entanto, isso não representa um desinvestimento em Portugal ou Espanha”, garante Felipe Vieira, CEO e cofundador da Networkme, ao ECO.
“Portugal continua a ser a nossa base estratégica e tecnológica, enquanto Espanha faz parte da nossa visão de crescimento regional na Península Ibérica. Cada mercado tem o seu papel na estratégia global da Networkme”, continua o empreendedor, destacando que Portugal — o primeiro mercado onde a plataforma começou a trabalhar — tem um “balanço positivo”, com “mais de 120 mil estudantes e mais de 1.000 empresas”, entre as quais, Meo, Super Bock Group, Jeronimo Martins, BNP Paribas ou Banco Montepio.
“É um mercado rentável para a Networkme e continuará a ser um dos nossos focos”, assegura. “A operação tem-se mantido sólida, e planeamos continuar a investir, especialmente agora com o foco em auxiliar os jovens na entrada ao mercado de trabalho”, refere. “A Networkme é uma empresa com ADN português e é sempre assim que iremos nos posicionar, independente dos novos mercados que atuamos”, diz.
Espanha, mercado onde entraram em 2022, está em “fase de manutenção e observação”.
“Realizámos testes de mercado e validações iniciais, mas optámos por não escalar de imediato. Entendemos que a operação é importante para conseguirmos atender parceiros com necessidades ibéricas, mas não é um mercado onde ativamente captamos novos parceiros”, explica.
Aposta no Brasil com olho na América Latina
A entrada no Brasil foi “estratégica” e a startup continua em “fase de expansão”. “Embora a ideia inicial fosse alcançar os 300 mil estudantes ativos, conseguimos impactar mais de 500 mil jovens nos últimos 12 meses”, adianta.
“Evoluímos com aprendizagens importantes sobre o comportamento do utilizador brasileiro e estamos atualmente a ajustar o nosso modelo para garantir uma proposta de valor mais alinhada com a realidade local. O foco atual está numa comunidade mais qualificada e ativa, em vez de volume absoluto”, acrescenta.
Estamos atentos a outros mercados da América Latina e a oportunidades pontuais em países lusófonos. Para já, o foco permanece em consolidar Brasil e permanecer fortes em Portugal. Qualquer expansão futura será feita com base em dados e tração comprovada.
Apesar de, nesta fase, Portugal ser o mercado “com maior maturidade, quer em número de utilizadores, quer em clientes empresariais”, o Brasil é o mercado “com maior potencial de crescimento a médio prazo, pela sua dimensão e abertura a soluções digitais na área da empregabilidade”.
“Estamos atentos a outros mercados da América Latina e a oportunidades pontuais em países lusófonos”, adianta Felipe Vieira quando questionado sobre outros potenciais mercados de expansão. “Para já, o foco permanece em consolidar Brasil e permanecer fortes em Portugal. Qualquer expansão futura será feita com base em dados e tração comprovada”, assegura.
Ronda em 2026
Entre rondas pré-seed e seed, a startup já captou cerca de dois milhões de euros junto a fundos de investimento como a Shilling, Newzone Capital, Big Sur Ventures ou o Bankinter, e aponta para a segunda metade do próximo ano uma nova ida ao mercado.
“Estamos a planear a nossa série A para o segundo semestre de 2026”, adianta o CEO da startup e quando instado a avançar um valor do ticket aponta para entre “seis a 10 milhões de euros”. Capital que será aplicado no “investimento (ainda maior) na nossa tecnologia” — a Networkme “pode ocupar um espaço ainda não ocupado no mercado: ser a plataforma de carreira global para todos que estão a dar os primeiros passos em sua carreira” — e na “expansão estratégica”.
“Com base no desenvolvimento dos mercados que atuamos e os parceiros que atuamos, visamos expandir de maneira estratégica e abrir novos mercados”, detalha.
Reforço da equipa
A startup — que “nos últimos meses” passou por uma “reorganização profunda, tanto ao nível da equipa como da sua proposta de valor”, em que optaram por “uma estrutura mais enxuta, orientada para eficiência operacional e foco em produto” — conta atualmente com “24 pessoas na equipa, entre internos e externos”, dos quais 15 no mercado português, seja de maneira remota ou presencial, e tem planos para reforçar.
“Temos previsão de contratar mais seis colaboradores até o fim do ano e dobrar a equipa até o fim de 2026”, adianta o cofundador.
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