As maiores tragédias em Portugal dos últimos 65 anos
O descarrilamento do Ascensor da Glória foi considerado pelo primeiro-ministro "uma das maiores tragédias humanas da nossa história recente".
O acidente no Elevador da Glória, em Lisboa, que matou pelo menos 16 pessoas na quarta-feira à tarde, chocou o país e foi considerado pelo primeiro-ministro “uma das maiores tragédias humanas da nossa história recente”. No território nacional, houve outras tragédias ocorridas ao longo dos últimos 65 anos, como as cheias em Lisboa e Loures, em novembro de 1967, que se estima terem vitimado mais de 500 pessoas.
1967 – Cheias em Lisboa: Estimadas mais de 500 mortes
Na noite de 25 para 26 de novembro de 1967, Lisboa e a região de Loures foram palco de uma das maiores tragédias naturais de que há memória no país. Chuvas torrenciais, que coincidiram com a maré-alta do rio Tejo, provocaram inundações repentinas que arrastaram casas, automóveis e pessoas, deixando um rasto de destruição.
Os bairros mais pobres, muitos constituídos por barracas e construções precárias erguidas junto a linhas de água, foram os mais atingidos. Milhares de famílias perderam tudo em apenas algumas horas.
As cheias causaram oficialmente mais de 500 mortos, mas a forte censura imposta pelo Estado Novo impediu uma contabilização rigorosa das vítimas. Testemunhos da época apontam, contudo, para um número ainda mais elevado.
Esta tragédia expôs de forma brutal a vulnerabilidade social e as más condições de habitação em que vivia grande parte da população lisboeta.
1989 – Acidente aéreo na ilha de Santa Maria provoca 144 mortos
Na noite de 8 de fevereiro de 1989, um avião da companhia charter Independent Air, que realizava o voo 1851 entre Bérgamo (Itália) e a República Dominicana, com escala prevista na ilha de Santa Maria, nos Açores, despenhou-se pouco antes da aterragem.
A aeronave, um Boeing 707, levava a bordo 137 passageiros e sete tripulantes, na maioria turistas italianos. Durante a aproximação ao aeroporto de Santa Maria, o aparelho chocou contra uma colina a cerca de 180 metros de altitude, devido a erros de navegação e falhas de comunicação com a torre de controlo.
O impacto foi devastador: todas as 144 pessoas morreram, tornando-se o pior acidente aéreo de sempre em território português.
1977 – Acidente aéreo na Madeira mata 131
O único acidente com vítimas mortais na história da TAP ocorreu a 19 de novembro de 1977. O voo TP 425, um Boeing 727-200 que partira de Bruxelas, fez escala em Lisboa e seguia para o Funchal. Após duas tentativas falhadas de aterragem devido ao mau tempo, o comandante tentou uma terceira, mas o avião aterrou demasiado tarde e demasiado rápido na pista molhada, sofrendo aquaplanagem. Incapaz de travar, saiu do fim da pista, despenhou-se e partiu-se em dois, acabando por incendiar-se.
Das 164 pessoas a bordo, 131 morreram e 33 sobreviveram com ferimentos graves. A tragédia levou a TAP a deixar de operar o Boeing 727-200 na Madeira e esteve na origem do posterior prolongamento da pista do Aeroporto de Santa Catarina, concluído em 2000.
2017 – Incêndios, incluindo o de Pedrógão Grande, causam um total de 116 mortes
Em junho de 2017, Portugal foi atingido por um dos incêndios mais devastadores da sua história. O fogo começou a 17 de junho em Pedrógão Grande e rapidamente se alastrou aos concelhos vizinhos de Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos.
As altas temperaturas, os ventos fortes e a seca extrema criaram um cenário de catástrofe: muitas vítimas perderam a vida encurraladas na Nacional 236, num trecho que ficou conhecido por “Estrada da Morte”, apanhadas pelas chamas enquanto tentavam fugir. No total, 66 pessoas morreram e mais de 250 ficaram feridas. A tragédia deixou o país em choque e revelou falhas graves na prevenção e no combate aos fogos florestais.
No dia 15 de outubro do mesmo ano, novos incêndios devastaram várias regiões do centro e norte do país, sobretudo nos distritos de Coimbra, Viseu e Guarda. Alimentados por ventos fortes causados pela passagem do furacão Ophelia, centenas de fogos deflagraram de forma quase simultânea, transformando-se rapidamente em dezenas de frentes incontroláveis. Nesta ocasião, morreram 50 pessoas e centenas ficaram desalojadas. O país voltou a mergulhar no luto, somando ao todo 116 vítimas mortais em 2017, o ano mais negro de sempre em matéria de incêndios florestais em Portugal.

1985 – Desastre ferroviário de Alcafache: Número de mortes indefinido
O dia 11 de setembro é mundialmente recordado pelo ataque da Al-Qaeda às Torres Gémeas, em Nova Iorque, em 2001. Mas, 16 anos antes, em 1985, essa mesma data ficou marcada em Portugal pelo mais grave desastre ferroviário da história do país.
Pelas 18h30, em Alcafache, no concelho de Mangualde (Viseu), dois comboios de passageiros colidiram frontalmente: o Rápido Internacional 314/315, que fazia a ligação Porto–Paris e transportava uma carga elevada de combustível, e o Regional 1324, com destino a Coimbra. Viajavam cerca de 460 pessoas a bordo das duas composições.
O choque provocou de imediato um incêndio devastador; muitas vítimas morreram carbonizadas ou asfixiadas. A esmagadora maioria dos corpos não foi identificada e parte deles nunca chegou a ser recuperada. Até hoje, não existe uma contagem exata do número de mortos, mas estima-se que tenham sido mais de uma centena.

1964 – Acidente Ferroviário em Custóias, Matosinhos: 90 mortos
Na noite de 26 de julho de 1964, o comboio que ligava a Póvoa de Varzim ao Porto sofreu um dos acidentes ferroviários mais graves da história do país. Pouco depois de parar em Crestins, na zona de Custóias, a cerca de nove quilómetros do Porto, o reboque descarrilou ao passar pela Ponte das Carvalhas e embateu com violência contra um dos pilares.
O impacto destruiu quase por completo a composição e provocou um incêndio a bordo, que vitimou 90 pessoas e deixou mais de 100 feridos.
1976 – Acidente aéreo na ilha Terceira, Açores: 68 mortos
Na noite de 3 de setembro de 1976, cerca das 22h45 (hora local), um avião Lockheed C-130H Hercules da Força Aérea Venezuelana despenhou-se numa colina próximo à pista do aeródromo das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, durante a aproximação sob condições meteorológicas extremas provocadas pelo furacão Emmy.
A bordo seguiam 68 pessoas, 58 passageiros principalmente integrantes do Orfeão Universitário da Universidade Central da Venezuela, e dez tripulantes. O grupo dirigia-se a Barcelona para participar num Festival Internacional de Canto Coral. Após três tentativas de aterragem, o avião colidiu violentamente com a encosta vitimando assim todos os passageiros que seguiam a bordo.
1961 – Avião caiu na Costa da Caparica: 61 mortos
A 30 de maio de 1961, um avião Douglas DC-8 despenhou-se no mar, junto à Fonte da Telha, na Costa da Caparica, poucos minutos após descolar do Aeroporto da Portela, em Lisboa. A aeronave tinha como destino final Caracas, na Venezuela, com escala nos Açores, e a tragédia provocou a morte imediata das 61 pessoas a bordo, entre tripulantes e passageiros.
O voo, identificado como VIASA 897, fazia a ligação entre a Europa e a Venezuela, com passagens por Roma, Madrid, Lisboa e Açores. Era operado pela companhia venezuelana VIASA, em parceria com a holandesa KLM.
2001 – Tragédia da Ponte Entre-os-Rios: 59 mortes
Na tarde de 4 de março de 2001, a queda da Ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios (Castelo de Paiva), provocou uma das maiores tragédias rodoviárias em Portugal. A estrutura, construída em 1887 sobre o rio Douro, cedeu subitamente ao final do dia, arrastando para a água um autocarro que transportava 53 pessoas e três automóveis.
O acidente ocorreu por volta das 21h15, quando o autocarro fazia a ligação entre o Porto e Castelo de Paiva. Nenhum dos passageiros sobreviveu. Ao todo morreram 59 pessoas.
As investigações apontaram o estado de degradação da ponte, que nunca tinha recebido obras de manutenção adequadas, como a principal causa do colapso. O desastre marcou profundamente o país, levando à demissão do então ministro do Equipamento Social, Jorge Coelho, e deixou uma ferida aberta na memória coletiva das populações do Douro.
1992 – Acidente aéreo no Algarve: 56 mortes
Na manhã de 21 de dezembro de 1992, o voo Martinair MP495, proveniente de Amesterdão, despenhou-se durante a aterragem no Aeroporto de Faro. O avião, um McDonnell Douglas DC-10, transportava maioritariamente turistas holandeses que vinham passar férias de Natal no Algarve.
O acidente ocorreu em condições meteorológicas muito adversas, com chuva intensa e ventos fortes. O aparelho aterrou de forma brusca, derrapou na pista molhada, partiu-se em três secções e incendiou-se.
Das 340 pessoas a bordo, morreram 56 e ficaram feridas mais de 100.
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