Sistema financeiro internacional “é uma nova forma de colonialismo”, diz presidente do Quénia

  • Lusa
  • 8 Setembro 2025

"Chegou o momento de estabelecer uma ordem financeira justa e equitativa que reconheça as aspirações de todas as nações e dê a cada país a oportunidade de prosperar", defendeu Ruto.

O Presidente do Quénia, William Ruto, considerou esta segunda-feira que a arquitetura financeira global tornou-se “uma nova forma de colonialismo”, castigando os países pobres com taxas de juro elevadas e oferecendo juros baratos aos mais ricos.

“Esta injustiça aprisiona os países em desenvolvimento em ciclos de dívida e dependência, negando-lhes os recursos de que necessitam para investir no crescimento, nas oportunidades e na dignidade do seu povo”, afirmou Ruto durante um evento realizado à margem da segunda Cimeira Africana sobre o Clima, que está a decorrer em Adis Abeba.

O líder queniano, citado pela agência espanhola de notícias Efe, garantiu que não ficará em silêncio até que seja reformada a arquitetura financeira internacional, que considera “injusta“, e acrescentou que o sistema atual “prejudica gravemente os países em desenvolvimento e mina a promessa de prosperidade partilhada”.

“Chegou o momento de estabelecer uma ordem financeira justa e equitativa que reconheça as aspirações de todas as nações e dê a cada país a oportunidade de prosperar”, declarou.

A reformulação da arquitetura financeira internacional tem sido um dos aspetos defendidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelos líderes africanos nos últimos anos, em pontos que vão desde a realocação dos Direitos Especiais de Saque do Fundo Monetário Internacional até à redução ou mesmo perdão da dívida aos países africanos em dificuldades, passando também pela contabilização dos recursos naturais no cálculo dos países do continente.

A cimeira, coorganizada pela União Africana (UA) e pelo Governo etíope, reúne desde esta segunda, em Adis Abeba, líderes africanos que procuram uma posição comum continental para impulsionar soluções para a crise climática em fóruns internacionais como a Organização das Nações Unidas ou o G20.

O encontro, que decorre até quarta-feira, tem como tema ‘Acelerar as soluções climáticas globais: financiar o desenvolvimento resiliente e verde de África’.

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