Exportações portuguesas de bens para os EUA encolhem 8,1% no primeiro semestre
Estados Unidos continuam a ser o quarto maior cliente de Portugal, mas pesam menos no total. Só no segundo trimestre as exportações nacionais para o país recuaram 199 milhões de euros, ou 14%.
As exportações portuguesas de bens com destino aos Estados Unidos diminuíram 8,1% no primeiro semestre, período fortemente marcado pela incerteza em torno da guerra comercial, e as importações aumentaram 14,5%, face ao mesmo período de 2024. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta terça-feira, revelam também que os fornecimentos industriais continuam a ser a principal categoria vendida a terras de Uncle Sam.
Esta quebra das vendas para os EUA ocorre “num contexto marcado pelos desafios decorrentes da aplicação das novas tarifas aduaneiras, que têm condicionado as transações de bens e aumentado a incerteza para as empresas”, justifica o instituto de estatísticas.

Os Estados Unidos foram destino de 6,2% das exportações portuguesas e a origem de 2,2% das importações nacionais, no primeiro semestre, mantendo-se como o quarto principal cliente de Portugal, mas recuando para a décima posição entre os principais fornecedores externos de bens.
“De referir que, no 2.º trimestre, as exportações nacionais para os Estados Unidos recuaram 199 milhões (-14%) em termos homólogos e 93 milhões (-7,1%) em cadeia, atingindo o valor mais baixo desde o 2.º trimestre de 2023″, detalha o INE. Já as importações aumentaram 4,1% e 13,1%, respetivamente.
As transações sem transferência de propriedade (TTE, ou seja, com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda) mantiveram “um peso significativo” no total das transações com aquele país, sobretudo nas exportações.
Segundo o INE, as transações TTE para os Estados Unidos representaram mais de um quarto (25,2%) do total de exportações de bens para o país e atingiram 5,9% das importações. “Excluindo as transações TTE, no 1.º semestre de 2025, as exportações decresceram 15,4% (+9,7% no 1.º semestre de 2024) e as importações aumentaram 9,4% (-20,1% no 1.º semestre de 2024)”, acrescenta o INE.
Fornecimentos industriais com maior peso
Os fornecimentos industriais continuam a ser a principal categoria exportada para os EUA, no primeiro semestre do ano, representando 41,8% do total, ou 1.059 milhões de euros, seguindo-se os bens de consumo (19,0%, ou 481 milhões de euros), com maior peso do que os combustíveis e lubrificantes, que foram responsáveis por 14,4% das vendas para os EUA (364 milhões de euros).

A análise divulgada pelo INE revela ainda que a primeira metade do ano ficou marcada por uma quebra de 40,7% nas exportações de combustíveis minerais para os EUA face ao mesmo período do ano passado.
“A penalizar as exportações nacionais para os Estados Unidos no 1.º semestre, destacaram-se ainda produtos de outros três capítulos da nomenclatura combinada: -39,6% nas Obras de ferro fundido, ferro ou aço, -43,6% nos Instrumentos e aparelhos de ótica e -11,6% nas Máquinas, aparelhos e materiais elétricos”, detalha.
Pelo lado positivo, as exportações de produtos farmacêuticos aceleraram 16,2% e de produtos químicos orgânicos cresceram 25,5%.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Exportações portuguesas de bens para os EUA encolhem 8,1% no primeiro semestre
{{ noCommentsLabel }}