Mota-Engil espera assinar novo contrato para túnel no Brasil até ao final do ano
A empresa portuguesa vai construir e operar por 30 anos a travessia que ligará as cidades de Santos e Guarujá, em São Paulo. Obra representa investimento próximo dos 1,1 mil milhões de euros.
A Mota-Engil espera assinar até ao final deste ano o contrato relativo à construção, operação e manutenção do túnel que vai ligar as cidades de Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo, que esteve a disputar com a espanhola Acciona.
Num comunicado enviado esta terça-feira à CMVM, a pedido do regulador do mercado, a construtora portuguesa confirmou a vitória da subsidiária da América Latina no leilão realizado no final da semana passada. A concessão terá a duração de 30 anos.
“Trata-se apenas da primeira fase de um processo conducente à adjudicação e posterior assinatura da documentação contratual, que se estima possa acontecer até final do corrente ano”, sublinha o grupo liderado por Carlos Mota Santos.
A Mota-Engil contabiliza que o montante de investimento ascenderá a cerca de 8 biliões de reais, equivalente a 1,255 mil milhões de euros, “dos quais até 5,8 biliões de reais virão de aportes públicos divididos igualmente entre o governo de São Paulo e o governo federal, sendo o restante da responsabilidade da empresa concessionária”.
Na sessão de segunda-feira, a Mota-Engil disparou mais de 9%, levando a bolsa de Lisboa a iniciar a semana em terreno positivo. Em reação ao futuro contrato no Brasil, os títulos dispararam 9,41% para 5,58 euros, registando a maior subida desde 19 de maio. A construtora acumula ganhos de 91% desde o início do ano, sendo das que mais valoriza em Lisboa.
A construção do túnel deverá arrancar em 2026, com conclusão prevista para 2030. Além da contraprestação pública, a Mota-Engil terá direito a cobrar uma portagem de cerca de 6,15 reais (aproximadamente 1 euro) por veículo durante os 30 anos de concessão.
O túnel terá 1,5 quilómetros de extensão, dos quais 870 metros estarão submersos no canal portuário de Santos. A estrutura utilizará a tecnologia de túnel imerso — inédita no Brasil, mas já consolidada na Europa e Ásia —, com módulos de concreto pré-moldados construídos em docas secas e depois transportados por flutuação até ao local de instalação.
A infraestrutura contará com seis faixas de trânsito (três por sentido), sendo uma reservada ao futuro Veículo Leve sobre Trilhos (um sistema de transporte público ferroviário de média capacidade), além de passagem para pedestres e ciclistas. A obra promete reduzir drasticamente o tempo de travessia entre as duas cidades: dos atuais 18 minutos de ferry ou uma hora por estrada para apenas um ou dois minutos.
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