Seguradoras perderam 144 milhões com seguro automóvel obrigatório
Elevada concorrência levou a que os prémios de seguros subissem menos que o aumento dos custos das reparações. O "seguro contra terceiros" manteve-se ruinoso para as seguradoras no ano passado.
Os resultados técnicos dos seguros de responsabilidade civil automóvel contra terceiros, obrigatórios para mais de nove milhões de veículos em Portugal, foram negativos em 144,1 milhões de euros em 2024, ainda pior que os -101,2 milhões registados em 2023. Estes valores são extraídos do relatório agora publicado pela ASF, entidade supervisora do setor, e indicam que as 15 companhias de seguros a atuar em Portugal neste ramo não aumentaram devidamente os preços dos prémios na tentativa de conquistar, ou apenas manter, clientes.
As receitas do seguro automóvel responsabilidade civil dão volume de negócios às companhias e possibilitam vender outros seguros aos mesmos clientes. Foram emitidos 1.333 milhões de euros de prémios de seguros de responsabilidade civil obrigatórios, segundo a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) para cerca de 8,9 milhões de veículos segurados em Portugal no final de 2024.
No lado das receitas, segundo a APS, o prémio médio anual por veículo foi de 285,6 euros por veículo em 2024, um valor 7,1% superior ao de um ano antes. No entanto, essa subida não compensou o aumento de custos com sinistros que, no caso automóvel e para o veículo terceiro, adiciona reparações, danos em infraestruturas, viatura de cortesia, custos legais e com peritos e até fraudes nem sempre detetadas pelas seguradoras.
O aumento dos custos com sinistros do “seguro contra terceiros”, designação popular para o seguro de responsabilidade civil automóvel, teve o seu auge em 2024. Os prejuízos técnicos resultaram do seu elevado custo. Foram 1.371 milhões de euros de indemnizações e pagamentos para apenas 1.333 milhões de receitas e, com todos os outros custos, os prejuízos finais foram 11% das receitas.
Fonte de uma seguradora refere que “no ano passado a frequência e a gravidade dos sinistros aumentou, os tempos de reparação dos carros aumentaram, não há peças, não há mão de obra nas oficinas”. Este fenómeno tem-se prolongado pelo primeiro semestre do ano, embora de forma mais suave.

Neste segmento de negócio sofreram diretamente 15 companhias ativas em 2024, mas este ramo está muito concentrado em poucas: As 5 maiores, com as suas várias marcas fazem 80% dos seguros e as 10 maiores mais de 96%. Com a integração da Liberty, a Generali tornou-se líder neste segmento, seguindo-se a Fidelidade, em cujo grupo se integra a Ok! Seguros que, no entanto, é uma companhia autónoma, a Ageas e o seu canal Seguro Directo, as internacionais Zurich e Allianz, enquanto a Caravela lidera o grupo das três seguradoras nacionais que ainda inclui a Lusitania e a CA Seguros
Danos próprios ajudam as seguradoras, mas não resolvem
As seguradoras que mais sofrem com este ramo, também podem ser as que mais beneficiam contratando coberturas complementares no ramo automóvel.
Para além da responsabilidade civil contra terceiros, cada vez mais as companhias estão a oferecer coberturas da danos próprios, vulgar e erradamente chamadas “contra todos os riscos”, porque o não são.
São coberturas facultativas que protegem os veículos após choque, colisão, capotamento, incêndio, roubo, fenómenos da natureza, atos de vandalismo, quebra de vidros e ainda de outros riscos.
Estas coberturas já significam 932 milhões de euros de prémios anuais e ainda há a cobertura de pessoas transportadas que tem enorme rentabilidade, com quase ausência de sinistros.
As coberturas facultativas de automóvel permitiram ao conjunto das companhias um resultado técnico de 109 milhões de euros em 2024, menos um milhão que um ano antes. No entanto, no geral do ramo automóvel, adicionando “seguro contra terceiros”, “danos próprios” e pessoas transportadas, o resultado técnico passou de positivo em 7,7 milhões de euros em 2023 para negativo de cerca de 35 milhões em 2024.
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