Sócrates nega interferência na nomeação de Vara para a CGD e chama “mentiroso” a Campos e Cunha

Sócrates rejeita que tenha tido interferência na nomeação de Armando Vara para a administração da Caixa Geral de Depósitos e acusou o antigo ministro das Finanças Luís Campos e Cunha de mentir.

José Sócrates recusa qualquer interferência na nomeação de Armando Vara para a administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e acusa o antigo ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, de mentir.

Naquela que foi a 9ª sessão do julgamento do processo da Operação Marquês – que decorreu no Campus de Justiça, em Lisboa – José Sócrates disse ter mostrado, na altura, reservas em relação à nomeação de Armando Vara para a administração da CGD, tendo considerado que era “politicamente muito desvantajoso para um governo que está a iniciar funções”. Armando Vara já foi condenado no âmbito deste processo, em julho de 2021, a uma pena de dois anos de prisão por branqueamento de capitais.

JOSÉ SENA GOULÃO / LUSAJOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

Segundo a acusação do Ministério Público, José Sócrates e o então administrador da CGD Armando Vara terão sido subornados num total de dois milhões de euros por dois administradores de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira e Rui Horta e Costa, para beneficiar a partir de 2006 o empreendimento.

O Ministério Público acredita que Armando Vara terá sido, no final de 2005, nomeado para a administração do banco público por indicação de José Sócrates.

“A acusação indica que nomeei Vara já com pensamentos criminosos e a pensar em Vale do Lobo. Mas as atas em que foram distribuídos os pelouros são de 4 de agosto de 2005 e janeiro de 2006. Este ponto destrói a acusação por inteiro”, apontou José Sócrates.

Sobre Luís Campos e Cunha, o ex-primeiro-ministro quis sublinhar que não foi o antigo ministro das Finanças que se demitiu.

“Eu demiti Campos e Cunha”, disse. “Cansei-me das mentiras deste senhor. Esteve três meses no Governo e, passados três meses, já estava na atividade preferida destas pessoas, que é atacar, denegrir e maldizer” o Partido Socialista.

Para a acusação, Luís Campos e Cunha terá saído do Governo por pressões para mudar a administração da Caixa Geral de Depósitos, mas José Sócrates disse hoje em tribunal que Campos e Cunha foi demitido na sequência da aprovação de uma lei que retirava benefícios a quem acumulava a pensão com cargos na administração pública.

“O ministro das Finanças tinha uma reforma do Banco de Portugal. Ele estava naquela circunstância, achava que tinha direito a tudo e não queria abdicar de nada. Ele opôs-se à lei”, explicou José Sócrates, que acrescentou que Campos e Cunha foi, para si, “um equívoco político”.

O antigo primeiro-ministro, Armando Vara, Diogo Gaspar Ferreira e Rui Horta e Costa são quatro dos 21 arguidos da Operação Marquês e respondem maioritariamente por corrupção e branqueamento de capitais.

O antigo primeiro-ministro, de 67 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES), e o empreendimento Vale do Lobo, no Algarve. No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.

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