Polícia francesa detém quase 300 pessoas em protestos. Novo PM promete “mudanças profundas” para tirar país da crise

  • Lusa e ECO
  • 10 Setembro 2025

Há 295 pessoas detidos no âmbito dos protestos que estão a decorrer esta quarta-feira, tendo existido 105 incêndios em vias públicas. Novo primeiro-ministro francês promete "mudanças".

A polícia francesa já fez esta quarta-feira 295 detenções em todo o país no âmbito dos protestos contra os cortes governamentais, mais de metade em Paris, de acordo com o balanço até às 13 horas divulgado pelo Ministério do Interior.

No total, 106 bloqueios foram realizados durante a manhã, de um total de 430 ações registadas (273 aglomerações em vias públicas e 157 bloqueios), reunindo cerca de 29 mil pessoas, de acordo com dados de Le Monde. Além disso, foram registados 105 incêndios em vias públicas, alguns localizados longe dos centros de protesto, bem como quatro feridos leves entre as forças de autoridade.

Paralelamente, o novo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, prometeu esta quarta-feira “mudanças profundas” e “não apenas superficiais” para tirar a França da crise política e social, durante a cerimónia de transferência de poder em Matignon (sede do Governo). “Devemos conseguir pôr fim a esta dupla fratura: a fratura entre a situação política e a fratura com o que os nossos concidadãos legitimamente esperam na sua vida quotidiana“, disse Lecornu num breve discurso após a cerimónia de transição, num dia marcado por protestos sociais em várias cidades francesas.

Depois de elogiar a “extraordinária coragem” do seu antecessor, o centrista François Bayrou, destituído na segunda-feira pelo chumbo de uma moção de confiança parlamentar, Lecornu prometeu ser “mais criativo” e “mais sério na forma de trabalhar com a oposição”.

Além disso, o novo chefe de Governo, nomeado na noite de terça-feira pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, garantiu que receberá as forças políticas “nos próximos dias” e que “não há caminhos impossíveis”, apesar de a coligação governamental cessante ter perdido a maioria na Assembleia Nacional.

O anterior ministro da Defesa macronista e antigo membro do partido de centro-direita Os Republicanos (LR), de 39 anos, que fez parte de todas as equipas governamentais desde junho de 2017, prometeu ainda “romper com o passado” e “ser mais sério na forma de trabalhar com a oposição”. “Esta tarde, reunir-me-ei com as principais forças políticas e, nos próximos dias, com as demais forças políticas e sindicais, e terei a oportunidade de me dirigir em breve ao povo francês“, concluiu no seu breve discurso, que contou também com a presença de alguns ministros do Governo cessante.

Já Bayrou, de saída do Matignon, assegurou que pretende “ajudar o Governo” que será formado pelo novo primeiro-ministro, neste “momento tão difícil”, “muito exigente e perigoso” para a França. Para existir, o futuro Governo francês deverá obter pelo menos um voto de não censura do Partido Socialista, algo indispensável para adotar um orçamento para 2026, cuja preparação acabou de derrubar a equipa cessante, que tinha apresentado um plano de cortes de quase 44 mil milhões de euros.

Lecornu é o quarto primeiro-ministro que o Presidente francês, Emmanuel Macron, nomeia em apenas 12 meses, depois de Gabriel Attal (2024), Michel Barnier (2024) e Bayrou (2024-2025), assumindo as funções num dia marcado por protestos nacionais promovidos pelo movimento social “Bloqueiem Tudo!” e a nove dias de outro dia de greves e paralisações, organizado pelos sindicatos e apoiado pelos partidos de esquerda.

Mais de 200 pessoas foram detidas na França hoje em operações das forças da ordem para impedir os bloqueios registados, principalmente em autoestradas e infraestruturas de transporte, num dia em que estava previsto um bloqueio total convocado contra as medidas do Governo.

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