Garantias pré-aprovadas levam Banco de Fomento a contratar 2,8 mil milhões

As candidaturas da indústria já superam as do comércio. Lisboa e Porto lideram o recurso às linhas BPF InvestEU e BPF Export. Linhas de financiamento do Portugal 2030 devem arrancar para a semana.

As garantias pré-aprovadas do Banco de Fomento traduziram-se em 24.600 candidaturas, que representam um financiamento de 7,52 mil milhões de euros. Já foram contratadas operações no valor de 2,85 mil milhões de euros – um aumento de cerca de 600 milhões no espaço de um mês – sendo a indústria e o comércio os setores que lideram em montantes e número de candidaturas.

No âmbito da linha BPF InvestEU e da nova linha BPF Export, que integra o “Programa Reforçar” criado para ajudar a mitigar o impacto das tarifas impostas por Donald Trump, já foram aprovadas 15,7 mil operações, num total de 4,86 mil milhões de euros. Um aumento de cerca de meio milhão face a 10 de agosto, estando a evolução concentrada na linha BPF Export.

BPF resultados a 10 Setembro

Num balanço divulgado num jantar com empresários na quarta-feira, organizado pela Sedes Setúbal, o CEO do Banco de Fomento sublinhou que os resultados dos últimos oito meses superam os dos quatro anos anteriores. A meta é fechar 2025 como o melhor ano de sempre, sem contar com o período da pandemia, no qual as linhas Covid tiveram uma importância determinante para garantir o funcionamento da economia.

Há candidaturas de todos os setores — dos serviços à construção, passando pela logística e pela agricultura – e de norte a sul do país. Mas o destaque vai para a indústria e comércio, que lideram em número de candidaturas e no valor. A indústria apresentou 3.497 candidaturas (28% do total), que representam um montante de financiamento de 1,16 mil milhões de euros (31% do total). Já no comércio as 2.182 candidaturas somam 883 milhões (23% do total). Há dois meses este era setor que liderava.

Por outro lado, a construção soma 1.754 candidaturas, num total de 433 milhões de euros (12%).

Em termos regionais há uma maior incidência das candidaturas em Lisboa (651) e no Porto (601), mas também em Braga (322) e Aveiro (191).

Mas ainda há mais linhas na calha. Nas próximas semanas, Gonçalo Regalado prevê arrancar com as quatro linhas de financiamento do Portugal 2030. Linhas que já se esperava estarem operacionais no início de maio, como disse no podcast ECO dos Fundos a gestora do Compete.

A estratégia passa pela criação de três instrumentos financeiros, tal como o ECO noticiou. O primeiro já foi anunciado no final de julho e consiste numa linha de financiamento, a Fomento 2030, que presta garantias para que as empresas possam receber o adiantamento de 40% do incentivo aprovado. Esta facilidade está disponível apenas até 31 de dezembro, a partir de janeiro de 2026, a possibilidade de adiantamento baixa para 25%. Uma diferença que se justifica pelo facto de ser este ano que se começa a aplicar a regra da guilhotina e que pode levar a perder fundos europeus. Uma preocupação que ganhou nova relevância tendo em conta a demora na reprogramação do PT2030, desenhada precisamente para resolver esse problema.

O segundo instrumento vai “permitir aos empresários levantarem na banca comercial, à taxa de juro zero, de forma gratuita, o financiamento do incentivo reembolsável”, avançou em agosto ao ECO o presidente do Banco de Fomento. A ideia é inspirada no mecanismo criado no Portugal 2020, que permitiu duplicar o número de empresas a apoiar com fundos europeus (embora privando o Estado dos reembolsos que, ao longo dos anos têm sido utilizados para financiar outros projetos).

O terceiro instrumento financeiro é criado para ajudar na vertente dos capitais próprios, que têm de ser assegurados pelas empresas (não é incentivo). O Banco de Fomento vai criar uma garantia para os capitais alheios. “É um financiamento a oito anos com dois anos de carência, em que são os bancos a cobrir o risco e o Banco de Fomento a cobrir a garantia”, explicou Gonçalo Regalado, recordando que este tipo de financiamento “existiu sempre”. “Podemos ir até 75% do não incentivo. Isto é, num projeto de 500 mil euros de não incentivos, num projeto de um milhão de euros de investimento, podemos fazer até 375 mil euros”, precisou o CEO do BPF.

Na calendarização do Banco de Fomento está ainda previsto para o terceiro trimestre lançar a linha de 322 milhões de euros para financiamento de projetos com apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e as linhas de habitação de 2,5 mil milhões para apoiar projetos púbicos e privados de habitação a custos controlados.

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