Vem aí uma greve geral contra a reforma laboral?
O podcast 'O Ministério das Finanças' está de regresso ao formato original, no Estúdio ECO, para desvendar a política, a economia e os negócios.
O Podcast ‘O Mistério das Finanças’ está de regresso, e ao seu formato original. Depois de uma temporada na CNN, regressa ao Estúdio ECO, para uma discussão semanal entre os jornalistas António Costa, diretor do ECO, e Pedro Santos Guerreiro, diretor executivo da CNN. E o ‘Elefante na Sala’, o tema central da semana, foi a discussão sobre a proposta de revisão do Código Laboral.
“Foi uma rubrica que criámos na versão anterior e que vamos manter. Ou seja, queremos falar, todas as semanas, do assunto que está a marcar e que tantas vezes tem abordagens esquivas. — E o ‘Elefante na Sala’ desta semana é um bocadinho à bruta, porque é uma pergunta que, na verdade, ainda ninguém está a fazer dessa maneira. Vamos pôr a carroça à frente dos bois. O ‘Elefante na Sala’ é: Vamos ter uma greve geral em Portugal?“, pergunta Pedro Santos Guerreiro. “Sim, é mesmo um enorme ‘Elefante na Sala’ e arrisco dizer que é o dossiê mais importante do ponto de vista político para os próximos seis meses”, responde António Costa. “Eu arrisco dizer que a probabilidade de escalar para uma greve geral é superior a 50%. E porquê? Já houve uma reunião, um primeiro encontro de Concertação entre os parceiros sociais e o Governo, e a posição de princípio das confederações sindicais não é “vamos discutir e negociar”. O ponto de negociação que é posto pela CGTP, mas também, de alguma maneira, pela UGT, é pedir ao Governo para retirar a proposta”, acrescenta.
Os mistérios continuam a ser, semanalmente, um dos pontos centrais d’O Mistério das Finanças.
O primeiro, desta vez, foi a proposta de Orçamento do Estado para 2026 que está aí a chegar e a privatização da TAP. “Este Orçamento que aí vem — e estamos muito perto — vai ser eleitoralista ou não?”, questiona o diretor executivo da CNN. A apresentação, segundo a lei de enquadramento orçamental, será feita a 10 de outubro, a última sexta-feira antes das eleições autárquicas. “É o orçamento deste ciclo político mais estreito do ponto de vista orçamental, mais curto para dar “benesses” para lá do já anunciado e, paradoxalmente, o mais fácil politicamente de negociar. Daí considerar que o PS vai pôr mais fichas na pressão ao Código Laboral do que propriamente na viabilização do OE. Veremos“, diz o diretor do ECO.
O segundo foi a reprivatização da TAP. E quem será o principal candidato talvez não seja o que estará a pensar. “Eu arrisco dizer que a maior parte das pessoas que nos estão a ouvir vai dizer que é a Lufthansa. Seguindo aquela lógica de que a Alemanha tem peso, e a Lufthansa é um colosso — o maior dos três conhecidos ‘candidatos a candidatos‘”, antecipa Pedro Santos Guerreiro. “Ao vender 49%, abre a porta a concorrentes não europeus. Surge um player forte: a Turkish Airlines. Os turcos já olham com atenção para a economia portuguesa: estão nos portos, querem estar na construção; acabaram de comprar a Air Europa em Espanha, ganhando a concorrentes como a Lufthansa, e estão muito interessados em comprar a TAP“, recorda o diretor do ECO. E quem são os principais candidato? Provavelmente, a Lufthansa não estará entre eles.
A ‘Boa Moeda’ e a ‘Má Moeda’ deste primeiro episódio são o professor Ernâni Lopes — morreu há 15 anos mas os seus pensamentos continuam a ser tão atuais — e André Ventura, com o episódio, cómico, da visita de Marcelo Rebelo de Sousa a um festival do hamburguer que é, afinal, um encontro de cidadãos de Berlim.
A partir de agora, O Mistério das Finanças termina com uma frase. “É um bocadinho caseiro, porque é de uma entrevista que fiz [Pedro Santos Guerreiro] na CNN ao Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre: ‘A igualdade de oportunidades em Portugal não existe‘.
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