Dona do Licor Beirão duplica negócio com compra da Sheridan’s. Faturação vai superar 100 milhões em 2026
Daniel Redondo, CEO da empresa familiar Casa Redondo, diz ao ECO que esta aquisição faz com que, pela primeira vez, o volume de negócios de exportação seja superior ao do mercado nacional.
A dona do Licor Beirão foi às compras na maior empresa de bebidas espirituosas do mundo e tem motivos para brindar. A Casa Redondo prevê que a aquisição da marca Sheridan’s à britânica Diageo faça com que o volume de negócios da empresa da Lousã duplique no próximo ano, disse ao ECO o CEO.
“A entrada do [licor] Sheridan’s para o nosso portefólio permite ao grupo crescer de forma quase imediata através da forte presença que a marca tem em 50 países. Estes números, só por si, farão duplicar o nosso volume de negócios já em 2026, ultrapassando os 100 milhões de euros”, afirma Daniel Redondo. No ano passado, a faturação global da Casa Redondo foi de aproximadamente 50 milhões de euros.
Apesar de as receitas ainda beberem essencialmente das vendas de Licor Beirão em Portugal, a Casa Redondo antecipa terminar este ano com cerca de 10 milhões de euros em exportações e, com a compra da Sheridan’s, crescer depois até aos 55 milhões de euros vindos do mercado externo. Aliás, vai ser “a primeira vez que o volume de negócios de exportação será superior ao mercado nacional”, realça o CEO da empresa familiar, fundada em 1940.
A apoiar este crescimento internacional estará também a chegada à Polónia, Roménia, Itália e Argentina em 2026. Países que se juntarão aos destinos de exportação onde estão ainda (e lideram) a Alemanha, os Países Baixos, a Bélgica e a Turquia. “Acreditamos que o reforço do nosso portefólio vai permitir explorar grandes oportunidades nos Estados Unidos e nos mercados asiáticos, nomeadamente a China”, acrescenta Daniel Redondo.
Questionado sobre o facto de o setor das bebidas espirituosas, bem como o dos vinhos, ter ficado de fora do acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos, que estabelece uma tarifa de 15%, Daniel Redondo esclarece que o mercado norte-americano não está entre os principais destinos de exportação, portanto o “impacto não será especialmente relevante” no curto prazo. “De qualquer forma, em termos mundiais, os Estados Unidos são o maior mercado de bebidas espirituosas. Não havendo um novo acordo UE-EUA, serão colocados entraves ao crescimento futuro do grupo”, admite o empresário.
A Casa Redondo foi criada por José Carranca Redondo, tem raízes que remontam à criação do Licor Beirão em 1929, mas inclui também no cardápio marcas como a Amarguinha (bebida de amêndoa amarga), o FoxTale Gin, o aperitivo Per Se e o licor Safari. A aquisição do Sheridan’s, o histórico licor de dupla câmara produzido em Dublin, foi a segunda além-fronteiras.
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