Empresa de reciclagem alimentar do grupo Semapa abre fábrica de 20 milhões em Coruche

  • Lusa e ECO
  • 19 Setembro 2025

Primeiras exportações da nova unidade da ETSA, que arranca com 14 postos de trabalho, terão como destino os setores de comida para animais de estimação, aquacultura e farmacêutica veterinária.

A ETSA inaugurou esta sexta-feira em Coruche uma nova unidade industrial que transforma subprodutos alimentares em ingredientes de elevado valor, num investimento de cerca de 20 milhões de euros apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Segundo a empresa detida pela Semapa, o projeto, designado ProHy, assenta numa tecnologia baseada num processo de hidrólise natural, sem recurso a químicos e permite transformar subprodutos animais em ingredientes de elevado valor, como proteína hidrolisada, gordura e fração mineral.

As primeiras exportações terão como destino os setores de petfood premium (comida para animais de estimação de elevada qualidade), aquacultura e farmacêutica veterinária, com a Europa, os Estados Unidos e a Ásia identificados como principais mercados, refere.

A nova fábrica arranca com 14 postos de trabalho diretos. Um número que, segundo a empresa, poderá duplicar a médio prazo.

“O projeto aposta na retenção de talento nacional e na valorização de competências avançadas, consolidando o papel da ETSA como motor de coesão territorial”, lê-se no comunicado.

A ETSA destaca que, ao contrário das soluções concorrentes baseadas em hidrólise enzimática, o ProHy “distingue-se pela capacidade intrínseca de microencapsulamento dos ingredientes”, o que “abre caminho a novas aplicações” e coloca os produtos “numa posição privilegiada para responder às exigências dos mercados internacionais, reforçando a economia circular e a sustentabilidade”.

A nota refere ainda que a unidade poderá, no futuro, produzir ingredientes para consumo humano, alinhando-se com os objetivos nacionais e europeus de descarbonização e transição verde.

Criada em 1973 e participada do grupo Semapa, a ETSA é líder nacional na reciclagem do setor alimentar, com operações em Portugal e Espanha. Em janeiro, adquiriu o Grupo Barna, especializado na transformação de produtos de origem marinha para alimentação animal.

No primeiro semestre deste ano, os lucros do grupo Semapa afundaram 32,1% para 89,5 milhões de euros, com a holding da família Queiroz Pereira a justifica à CMVM que a pressionar os números esteve novamente a quebra do negócio da pasta e papel.

Em julho, naquela que foi apresentada como “a primeira aquisição direta de uma participada fora de Portugal”, a Semapa anunciou a aquisição de 100% da fabricante espanhola Imedexa ao fundo de private equity GPF Partners por uma “contrapartida paga nesta data de 148 milhões de euros, acrescida de uma componente adicional a ser paga dependente da verificação de determinadas condições”.

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