A bordo da flotilha, Mariana Mortágua será substituída no Parlamento por dirigente bloquista Andreia Galvão
Atual deputada única do Bloco de Esquerda justifica a decisão com a "proteção da flotilha que é dada pelo papel institucional dos deputados e eurodeputados que a compõem".
A coordenadora nacional e deputada única do BE, Mariana Mortágua, que está numa flotilha humanitária que se dirige a Gaza, vai ser substituída no Parlamento pela dirigente bloquista Andreia Galvão.
Numa publicação no site oficial do partido lê-se que a atual deputada única fez “uma reflexão profunda nos últimos dias”, tendo pesado “por um lado, a proteção da flotilha que é dada pelo papel institucional dos deputados e eurodeputados que a compõem”, e por outro lado, “o facto de a sua ausência em São Bento deixar o Bloco sem representação parlamentar na sua ausência”.
“E concluiu pela necessidade de o partido não ficar afastado dos debates no Parlamento nas próximas semanas”, lê-se na publicação.
Andreia Galvão foi a número três da lista do partido nas legislativas de maio para o círculo eleitoral de Lisboa.
Fonte oficial do partido adiantou à Lusa que o número dois da lista, o antigo líder parlamentar, Fabian Figueiredo, não vai assumir o mandato por “impedimento profissional”.
Israel avisa flotilha de que não deixará nenhum navio entrar numa “zona de combate”
Entretanto, Israel avisou esta segunda-feira a Flotilha Global Sumud que não permitirá que nenhum navio entre numa “zona de combate ativa” nem tão pouco a “violação de um bloqueio naval legal”.
“Se o desejo genuíno dos participantes da flotilha é entregar ajuda humanitária, Israel apela a que os navios, em vez de servirem o Hamas, atraquem no porto de Ascalon e descarreguem a ajuda aí, de onde será transferida rapidamente e de forma coordenada para a Faixa de Gaza”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado.
O Governo israelita exortou os membros da iniciativa humanitária, que alegou também ser “apoiada pelo grupo jihadista Hamas”, a “não violarem a lei” e a aceitarem a proposta de Israel de “transferir pacificamente” qualquer ajuda a Gaza para território israelita.
A flotilha denunciou no domingo a presença de “múltiplos drones” nas proximidades dos seus navios que navegam em águas internacionais em direção à Faixa de Gaza.
Cerca de 300 voluntários de 44 países fazem parte do esforço para levar ajuda humanitária ao enclave palestiniano. A iniciativa é composta por ativistas, políticos, jornalistas e médicos, incluindo portugueses, e é considerada a maior flotilha organizada até à data, procurando levar ajuda humanitária ao enclave palestiniano e denunciar o cerco israelita à Faixa de Gaza.
A bordo da flotilha seguem a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício.
A flotilha, na qual também participa a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, zarpou na semana passada da Tunísia, após vários adiamentos devido à segurança, à preparação dos barcos e às condições meteorológicas.
Os navios pretendem chegar a Gaza para entregar ajuda humanitária e “quebrar o bloqueio israelita”, depois de duas tentativas terem sido bloqueadas por Israel em junho e julho.
Em agosto, as Nações Unidas declararam o estado de fome em parte da Faixa de Gaza, palco de uma guerra desencadeada pelo ataque do Hamas em solo israelita, a 07 de outubro de 2023, que provocou cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.
A retaliação de Israel já provocou mais de 65 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas de Gaza e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas. Israel também impôs um bloqueio à entrega de ajuda humanitária no enclave, onde mais de 400 pessoas já morreram de desnutrição e fome, a maioria crianças.
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