IGCP prepara emissão de dívida sindicada a oito anos à boleia da subida do rating da República

O IGCP mandatou um conjunto de bancos para avançar com uma operação de dívida sindicada com maturidade em 2033. Será a terceira emissão deste género que o Estado realizará este ano.

Portugal prepara-se para lançar uma nova obrigação do Tesouro a oito anos e reabrir a linha de dívida a 2054, num movimento que reforça a estratégia de financiamento do Estado e dá sinal de confiança nas condições atuais do mercado, numa altura em que a República viu o rating subir em nota pelas agências de notação Standard & Poor’s e Fitch.

De acordo com informação avançada por uma das instituições envolvidas na operação citada pela Dow Jones Newswires, o IGCP, liderado por Pedro Cabeços, mandatou um grupo de bancos internacionais e nacionais para liderarem a terceira emissão sindicada deste ano.

A primeira operação deste ano foi realizada a 9 de janeiro, por via do lançamento da linha com maturidade a 15 de junho de 2025, com o Estado a financiar-se em 4 mil milhões de euros, que contou com uma procura 6,4 vezes acima da oferta e com uma yield de 3,074%, o equivalente à taxa mid-swaps mais um prémio de 55 pontos base.

A segunda emissão sindicada deste ano ocorreu a 30 de abril, com o lançamento da linha com maturidade a 15 de junho de 2040, com a República a financiar-se em 3 mil milhões de euros, que contou com uma procura 5,3 vezes acima a oferta. Esta operação resultou numa yield de 3,498%, o equivalente à taxa mid-swaps mais um prémio de 92 pontos base.

Está em causa uma colocação de dívida em duas tranches: o lançamento de uma nova obrigação com vencimento em outubro de 2033 e a reabertura da obrigação já existente com cupão de 3,625% e maturidade em junho de 2054. A operação deverá ser concretizada nos próximos dias, ainda que sujeita às condições de mercado.

Para operacionalizar a emissão, a agência responsável pela gestão de dívida do Estado selecionou como joint lead managers o Barclays, BNP Paribas, CaixaBI, Citi, Crédit Agricole CIB e J.P. Morgan.

A emissão a oito anos permitirá reforçar o leque de benchmarks de médio prazo da República, criando mais liquidez para investidores interessados em horizontes de longo prazo. Já a reabertura da linha a 2054, que se encontra atualmente a negociar com uma yield de 4,034%, prolonga a curva da dívida a muito longo prazo, consolidando o perfil de maturidades e demonstrando a capacidade do país em captar financiamento a prazos largos.

Para o Tesouro, estas operações são também uma forma de diversificar a base de investidores e equilibrar o calendário de reembolsos futuros, num momento em que as taxas de juro da Zona Euro permanecem em níveis elevados, mas estáveis.

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