Teixeira Duarte tomba 9,5% na estreia no PSI após escalada de 35% na última semana
Ações da construtora já caíram um máximo de 9,5% durante a manhã, com os investidores a realizarem mais-valias após escalada de 35% na última semana.
Depois de ter saltado 35% na semana passada, a reagir à notícia da promoção ao PSI, a Teixeira Duarte já chegou a tombar um máximo de 9,5% na sessão que marca o regresso ao índice de referência da bolsa nacional. Analistas permanecem otimistas para a evolução da empresa, que entra no radar dos fundos, mas admitem correção no curto prazo após escalada de mais de 600% no ano.
Os títulos da construtora seguem a desvalorizar 7,54% para 56,40 cêntimos, depois de já terem tocado nos 55,20 cêntimos, 9,5% abaixo dos 61 cêntimos de fecho na sessão de sexta-feira. Esta correção surge depois de um ano de ganhos estonteantes.
Teixeira Duarte afunda 9,5% na estreia no PSI

Até ao final da semana passada, as ações disparavam 672,15%, tendo subido 35% no espaço de uma semana, a reagir à notícia que a empresa foi escolhida para se juntar ao restrito clube do principal índice da bolsa lisboeta.
“Há um ditado na bolsa que diz: comprar no rumor, vender na notícia. Neste caso teremos de perceber se a administração continua a suportar a confiança que os investidores lhes estão a dar“, refere Pedro Lino, administrador da Optimize.
Nuno Mello, analista da XTB, nota que “as ações da Teixeira Duarte registaram uma forte valorização após a promoção ao PSI e o anúncio da reestruturação financeira, mas há sinais de que a tendência positiva pode prolongar-se, desde que os resultados confirmem a trajetória de recuperação”, mas avisa que “a margem de valorização dependerá da execução operacional e da capacidade da empresa em consolidar lucros sustentáveis. Ou seja, há potencial para mais ganhos, mas também existe o risco de correções caso as expectativas não sejam cumpridas”.
Alta velocidade, reestruturação e novo acionista
2025 tem sido um bom ano para a Teixeira Duarte, com os investidores a reconhecerem as vitórias alcançadas pela empresa, que chega ao PSI “depois de anos desafiantes com transformações profundas”, conforme destacou ao ECO Manuel Maria Teixeira Duarte, presidente do conselho de administração do Grupo. O empresário destacou que “o foco na disciplina financeira, na seleção criteriosa de projetos e na melhoria dos processos internos foram elementos-chave para o reforço da competitividade” da empresa.
Depois de ter fechado um acordo para reestruturar a dívida com a banca e ter aumentado o lucro para 42,4 milhões no primeiro semestre, tendo conseguido arrecadar 440 milhões para a carteira de encomendas com a sua participação no consórcio que ganhou o primeiro troço da Alta Velocidade.
“A carteira de encomendas para o setor da construção atingiu os 1.630 milhões de euros em junho, refletindo um aumento de 5,9% face a dezembro de 2024”, destaca Manuel Maria Teixeira Duarte. “Desta carteira consta o primeiro projeto da alta velocidade ganho pelo consórcio LusoLav, que o Grupo Teixeira Duarte integra, e que deverá gerar cerca de 440 milhões de euros em obra”, acrescenta.
Além destas notícias positivas, que aceleraram as ações e permitiram à empresa cumprir o requisito da Euronext, de capital disperso em bolsa de pelo menos 100 milhões de euros, para entrar no restrito clube das maiores cotadas nacionais, a própria notícia da subida ao PSI acelerou ainda mais as ações. Em cinco sessões, os títulos da construtora escalaram cerca de 35%.
A empresa tem ainda sido alvo de mudanças acionistas. A sociedade Dualis Capital, dos empresários nortenhos Eduardo Sardo e Gaspar da Silva, reforçou, na semana passada, a posição na construtora Teixeira Duarte, passando a deter mais de 10% do capital.
Os analistas aplaudem a entrada de um novo acionista de referência. “O novo acionista traz maior estabilidade ao núcleo acionista, reforça o compromisso com estratégia de longo prazo e potencia sinergias no setor, aumentando a capacidade para financiar grandes projetos”, refere Nuno Mello.
Pedro Oliveira considera que a presença da Dualis no capital “poderá abrir novas oportunidades de negócio, reforçar a estabilidade financeira e fortalecer a posição da empresa em mercados chave”. “Se olharmos apenas para estes fatores mais recentes, como a entrada no índice PSI, a sua melhoria financeira e a chegada de um novo acionista estratégico diria que tem fortes probabilidades de continuar a valorizar”, antecipa o trader do Banco Carregosa.
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