Credores aprovam venda da SLM à equipa de gestão por 8,5 milhões de euros
Histórica fabricante de componentes para a indústria automóvel está mais perto de escapar à insolvência. Maioria dos credores aprovou MBO de 8,5 milhões e que irá ‘limpar’ dívida de quase 70 milhões.
A Schmidt Light Metal (SLM), com sede em Oliveira de Azeméis, está mais perto de escapar à insolvência e de assegurar mais de 360 postos de trabalho, depois de a maioria dos credores ter aprovado uma proposta que passa pela venda da histórica fabricante de componentes para a indústria automóvel à equipa de gestão da empresa por 8,5 milhões de euros.
A solução de management buy out (MBO), que irá sanear uma dívida que ascende a quase 70 milhões de euros, foi aprovada por mais de 55% dos credores – incluindo os trabalhadores e investidores que compraram os créditos problemáticos aos bancos — que marcaram presença na assembleia de credores que teve lugar no início do mês. Alguns deles pediram nessa reunião para votar posteriormente e por escrito.
Com esta decisão, o negócio irá passar para uma nova sociedade detida pelo gerente Marc Schmidt, pela diretora financeira Daniela Alegria e pelo consultor Carlos Pais, mas fonte sindical lembrou ao ECO que a implementação do plano ainda está pendente dos processos relacionados com as outras duas participadas mais pequenas, a DMM – Desenvolvimento, Maquinagem e Montagem e a ATC – Autoconceptus, que também se encontram abrangidas nesta proposta de MBO.
O MBO – que tem o apoio da Volkswagen, o principal cliente da empresa — prevê a manutenção dos atuais 363 trabalhadores, sendo que a maioria dos quais está afeta à SLM, que detém também uma fábrica mais pequena na Áustria.
No que toca aos credores, propõe a “recuperação integral” nos créditos privilegiados e garantidos, obtendo os credores comuns uma taxa estimada de 6% dos seus créditos – o que representa uma perspetiva financeira mais favorável em relação a um cenário de liquidação.
Pai de André Villas-Boas também aprova
Fundada em 1989 e com instalações fabris situadas na zona industrial de Santiago de Riba-Ul, em Oliveira de Azeméis, tem como acionistas os herdeiros do fundador Ralf Schmidt, Marc Schmidt e Filipe Villas-Boas (pai do atual presidente do FC Porto, André Villas-Boas, que ali trabalhou nas férias, entre os 13 e os 15 anos, como “castigo” pelas más notas). Além da própria SLM, que detém quotas próprias e que em 2022 faturou 42,4 milhões de euros.
O próprio Filipe Villas-Boas, que reclama um crédito (subordinado) superior a um milhão de euros à empresa, aprovou o plano do MBO, de acordo com os resultados da votação apresentados pelo administrador de insolvência, Jorge Calvete, junto do tribunal.
Trabalhadores nunca pararam
Sem dívidas vencidas à Autoridade Tributária nem à Segurança Social, o passivo totaliza 68,5 milhões e que correspondem em grande medida a dívidas contraídas junto do Novobanco, BCP e BPI – que, entretanto, já venderam as respetivas exposições problemáticas a investidores internacionais.
Apesar das dificuldades financeiras, a SLM nunca fechou portas. Pelo contrário, no final de março, quando a empresa foi declarada insolvente, o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das Indústria Transformadoras, de Energia e de Atividades de Ambiente do Centro-Norte (SITE-CN), Justino Pereira, adiantou à agência Lusa que o problema “não é falta de encomendas” e que “os trabalhadores nunca estiveram parados e até fizeram horas extras” nestes últimos dois anos.
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