Líder da AIE deixa recado sobre lítio em Portugal: “Espero que mineração seja completada com refinação”

"Espero sinceramente que esta mineração seja complementada com a refinação de lítio, e que seja vendido e usado a um valor muito mais alto", afirmou Fatih Birol.

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, elogia o desempenho de Portugal na área energética, mas deixa um recado: mais do que fazer a mineração de lítio, espera que o país se dedique à refinação deste mineral, conseguindo desta forma valorizá-lo.

“Um dos mais importantes minerais críticos é o lítio. E sei que há atividades e projetos para mineração de lítio. Mas espero sinceramente que esta mineração seja complementada com a refinação de lítio, e que seja vendido e usado a um valor muito mais alto“, afirmou Fatih Birol.

O líder da Agência Internacional de Energia falava na conferência organizada da Agência para a Energia (ADENE), que decorre esta segunda-feira de manhã, nas instalações da Nova Schoolof Business and Economics, em Carcavelos.

Birol deixou o conselho depois de ter elogiado o país pelo seu desempenho no que diz respeito ao setor energético. “Não digo isto facilmente sobre qualquer país. Mas Portugal é um A+”, indicou.

Não digo isto facilmente sobre qualquer país. Mas Portugal é um A+.

Fatih Birol

Diretor Executivo da AIE

Como argumentos, apontou para a diversificação de fontes energéticas do país, a diminuição de energia fóssil no mix energético e o impacto destas alterações no consumidor. “Os preços da eletricidade [em Portugal] estão bem mais baratos do que a média da União Europeia, tanto para os consumidores domésticos como para a indústria“, rematou.

No seu discurso enfatizou que “a era da eletricidade está a chegar” e que a procura está a evoluir rapidamente. Além das razões que habitualmente sustentam a procura, como o crescimento das economias, Birol salientou três razões para a recente aceleração: a ascensão da inteligência artificial, que requer centros de dados, muito intensivos em energia, foi a primeira justificação. “Há uma grande corrida para saber quem está na frente, quem vai moldar a economia global”.

Em segundo lugar, os ares condicionados que “estão a tornar-se um must em muitos países”, e cuja penetração ainda é relativamente baixa em países como a Índia, que só conta com uma penetração de 20% desta tecnologia nos seus lares. Por fim, os carros elétricos, que há quatro anos representavam apenas 5% das vendas de carros no mundo, e hoje ascendem aos 25%.

Segurança energética passa a segurança económica

Apesar deste cenário, existem três desafios estratégicos que, na opinião do líder da AIE, dificultam a evolução do setor, a nível mundial. São eles a segurança energética, as alterações climáticas e a pobreza energética. “Acredito que os eventos geopolíticos de hoje vão tornar a segurança energética mais importante. Está quase a par da segurança nacional e segurança económica“, asseverou.

Para gerir esta situação, avançou três regras de ouro: “diversificação de fontes de energia”, na qual acredita que Portugal fez um “ótimo trabalho”; previsibilidade, um critério no qual também vê um bom desempenho de Portugal; e, finalmente, cooperação internacional: “arranjem os parceiros certos na energia”, aconselhou, genericamente.

 

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