Portugal vai assumir presidência da aliança MED9 em 2027
Portugal fica incumbido de organizar a cimeira do MED9 de 2027 (em princípio, a 14.ª edição), que deverá determinar o fim do seu mandato à frente da aliança.
Portugal assumirá em 2027 a presidência rotativa da aliança dos Países do Sul da União Europeia (MED9), anunciou esta segunda-feira o primeiro-ministro, durante a cimeira que decorre na Eslovénia.
Na conferência de imprensa que encerrou os trabalhos da cimeira, na cidade de Portoroz, Eslovénia, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, agradeceu a confiança dos homólogos na presidência portuguesa do grupo em 2027. O primeiro-ministro saudou ainda a hospitalidade do primeiro-ministro esloveno, Robert Golob, na cimeira deste ano e fez votos de uma boa presidência ao homólogo croata, que presidirá o grupo em 2026, sucedendo à Eslovénia.
Criada em 2013, a aliança dos MED9 junta nove países – Portugal, Croácia, Chipre, França, Grécia, Malta, Itália, Eslovénia e Espanha – que fazem parte da bacia mediterrânica, do euro e do espaço Schengen (à exceção do Chipre). O período na liderança desta aliança encerra, habitualmente, com uma cimeira do MED9 organizada pelo país escolhido para presidir na cimeira anterior.
Com esta presidência, Portugal fica incumbido de organizar a cimeira do MED9 de 2027 (em princípio, a 14.ª edição), que deverá determinar o fim do seu mandato à frente da aliança.
A cimeira deste ano debateu as atuais “condições intoleráveis” na Faixa de Gaza, dias depois do acordo de cessar-fogo entre Israel e o movimento islamita Hamas, bem como a competitividade europeia, com foco em matérias como a energia (redução de combustíveis fósseis e aposta em renováveis), questões laborais e migrações
Desta cimeira resultaram dois documentos: a Declaração de Portoroz do MED9 2025 e uma declaração conjunta sobre o Médio Oriente, subscrita pelo rei da Jordânia e pelos líderes dos Estados do MED9.
Montenegro defende que imigrantes irregulares na UE devem retornar aos países de origem
O primeiro-ministro defendeu ainda que os imigrantes ilegais na UE devem retornar aos países de origem e argumentou que a Europa só alocará “bons recursos humanos” à sua economia se tiver uma “imigração regulada”.
Na conferência de imprensa de encerramento dos trabalhos da cimeira dos Países do Sul da União Europeia (MED9), na cidade de Portoroz, Eslovénia, Luís Montenegro sublinhou a relevância da imigração para a coesão social e económica da União Europeia (UE), afirmando que se trata de um “fator de competitividade económica”, mas ressalvou a necessidade de regulação.
“Nós precisamos de mão de obra. Mas só é possível nós alocarmos bons recursos humanos à nossa economia se tivermos uma imigração regulada, se as nossas fronteiras tiverem o controlo que precisamos para integrar bem, para dar esperança a quem procura na Europa uma oportunidade de trabalho e para não fomentarmos a imigração ilegal”, defendeu.
O primeiro-ministro argumentou também que a imigração ilegal deve ter como consequência “o retorno daqueles que chegam à Europa” ao país de origem e apelou ao “combate às redes ilegais, máfias organizadas, que estão a traficar seres humanos”.
Montenegro adiantou que os países do sul da UE presentes na cimeira “estão muito de acordo quanto à necessidade de implementar pactos sobre a imigração”, porque, acrescentou, “isso vai dar mais competitividade à economia, com absorção no mercado de trabalho da mão de obra que precisamos e com a consequência que tem de ser implementada para aqueles que violam estas regras”.
O primeiro-ministro reiterou também que o bloco europeu precisa de avançar com a União de Poupança e Investimentos e um mercado único de capitais.
Luís Montenegro afirmou ainda que a UE “precisa de ser mais competitiva do ponto de vista energético”, enfatizando que há capacidade produtiva, em particular de energia verde, e que a Europa “não pode tardar em cumprir projetos de interligação” e de ligação a outras áreas geográficas como o norte de África.
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