Sabadell diz que OPA do BBVA tinha condições para avançar com preço mais alto

  • Lusa
  • 21 Outubro 2025

“Se alguém no futuro quiser fazer uma OPA hostil tem de saber que, para ganhar, deve superar substancialmente o valor atribuído pelo mercado” à entidade que se quer absorver, refere Josep Oliu.

O presidente do Sabadell admitiu esta terça-feira que a OPA hostil do BBVA falhou por causa do preço e revelou que a administração do banco que lidera estava convencida de que a operação poderia ser bem-sucedida. Josep Oliu afirmou que “existiam as condições” para a Oferta Pública de Aquisição (OPA) do BBVA para controlar o Sabadell ser bem-sucedida com um preço superior.

“Se alguém no futuro quiser fazer uma OPA hostil tem de saber que, para ganhar, deve superar substancialmente o valor atribuído pelo mercado” à entidade que se quer absorver, afirmou o presidente do banco Sabadell, em Barcelona, no ciclo de conferências World in Progress, organizado pelo grupo de comunicação social PRISA.

Josep Oliu afirmou que, “a nível puramente de mercado”, o preço que o BBVA oferecia pelas ações do Sabadell foi o principal motivo para a OPA falhar. O BBVA “não foi capaz de ver que deveria fazer um aumento muito substancial de preço que não fez”, acrescentou.

O presidente do Sabdell admitiu que, ainda assim, a administração do banco acreditava que o BBVA conseguiria pelo menos 30% da instituição na primeira fase da operação e que se seguiria uma segunda OPA. “Nos últimos três dias estávamos convencidos de que haveria uma segunda OPA”, admitiu.

Josep Oliu disse ainda que uma OPA deve ser acordada e que essa é uma das lições deste processo. “Nunca vou fazer uma OPA hostil”, afirmou.

epa12469337 Banco Sabadell chairman Josep Oliu attends a debate titled ‘The financial system facing market challenges’ at the World in Progress (WIP) Forum in Barcelona, Spain, 21 October 2025. The WIP forum runs from 20 to 21 October 2025. EPA/ENRIC FONTCUBERTAEPA/ENRIC FONTCUBERTA

Sobre fusões transfronteiriças de bancos a nível europeu, considerou que estão “muito longe” e destacou que, entre outros motivos, “não há sinergias muito claras”. Josep Oliu afirmou que há legislações próprias em cada país da União Europeia em matérias como fiscalidade ou falências, o que cria barreiras para uma fusão.

O banco BBVA não conseguiu levar a bom porto a sua OPA hostil sobre o também espanhol Sabadell, não alcançando sequer 26% do capital da instituição financeira, revelou na quinta-feira a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) de Espanha. O banco basco conseguiu 25,47% do capital do Sabadell, muito longe do objetivo inicial de 50%, que lhe teria dado o controlo do banco catalão.

A OPA estava formalmente em curso desde 8 de setembro, com uma proposta do BBVA de uma ação sua por cada 4,8376 ações do Sabadell, avaliando cada ação catalã em 3,39 euros — o valor mais alto em mais de uma década. A operação, integralmente em ações, teria sido fiscalmente neutra para acionistas com mais-valias se a adesão superasse os 50% dos direitos de voto.

O banco basco havia definido como requisito mínimo obter 50% do capital do Sabadell. Caso conseguisse entre 30% e 50%, poderia manter a participação, mas seria obrigado a lançar uma segunda OPA totalmente em dinheiro — ao contrário da atual, que propunha apenas a troca de ações. Qualquer participação abaixo de 30% significaria o fracasso total da oferta, como agora se confirmou.

A tentativa de fusão do BBVA com o Sabadell visava criar um dos maiores bancos europeus, com cerca de um bilião de euros em ativos, mais de 135 mil trabalhadores no mundo (incluindo 19.213 do Sabadell) e mais de 7.000 agências. A nova entidade teria superado o CaixaBank (proprietário do BPI) em ativos, tornando-se o segundo maior banco de Espanha, atrás apenas do Santander.

Desde o lançamento da OPA, em maio de 2024, o processo enfrentou várias dificuldades regulatórias. O regulador do mercado aprovou a operação apenas em abril deste ano, e o Governo espanhol condicionou a fusão à manutenção separada das personalidades jurídicas, patrimónios e gestões de ambos os bancos durante três anos, com possibilidade de prolongamento por mais dois.

Bruxelas abriu um processo de infração devido à legislação que permitiu ao Governo impor essas condições.

Apesar de todas as reservas, o BBVA manteve a OPA, afirmando tratar-se de uma “oportunidade única” para os acionistas do Sabadell. No entanto, o Conselho de Administração do banco catalão desaconselhou por duas vezes a aceitação da oferta, considerando que subvalorizava a instituição.

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