Preço das casas sobe 19% e supera pela 1.ª vez os 2.000 euros por metro quadrado

Preços no setor imobiliário subiram 19% no 2.º trimestre de 2025, estabelecendo um novo recorde. Transações cresceram, mas a um ritmo mais lento do que no arranque do ano, mostra o INE.

Os preços das casas voltaram a fazer história, com o valor das transações a superar pela primeira vez os 2.000 euros por metro quadrado no segundo trimestre do ano. Vila Nova de Gaia, Coimbra e Amadora destacaram-se com os maiores acréscimos de preços entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, mostram ainda os dados do INE. Número de transações cresceu 15,6%, face ao período homólogo.

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Depois de uma subida de 18,7% nos primeiros três meses do ano, o preço mediano das casas transacionadas em Portugal aumentou 19% no segundo trimestre do ano, face ao período homólogo. Segundo o INE, trata-se da “variação mais elevada desde o início da série (1.º trimestre de 2019)”.

Assim, o preço mediano dos 41.608 alojamentos familiares transacionados em Portugal, entre abril e o final de junho, fixou-se em 2.065 euros por metro quadrado, o que representa um aumento de 5,8% relativamente ao 1.º trimestre de 2025 e de 19% em relação ao período homólogo de 2024.

O volume de transações também manteve a trajetória de subida, tendo aumentado 15,6% face a igual período do ano passado, quando foram vendidas 35.981 casas.

“O preço mediano da habitação aumentou, em relação ao período homólogo de 2024, nas 26 sub-regiões NUTS III, destacando-se o Baixo Alentejo com o maior crescimento (38,7%)”, refere ainda o INE. “As sub-regiões com preços medianos da habitação mais elevados – Grande Lisboa, Algarve, Península de Setúbal, Região Autónoma da Madeira e Área Metropolitana do Porto – apresentaram também os valores mais elevados em ambas as categorias de domicílio fiscal do comprador (território nacional e estrangeiro)”, acrescenta.

No que diz respeito aos municípios mais populosos, os preços da habitação aceleraram em 19 dos 24 que têm mais de 100 mil habitantes. Vila Nova de Gaia (+13,4 p.p.), Coimbra (+12,7 p.p.) e Amadora (+10,9 p.p.) registaram os maiores acréscimos.

Em sentido oposto, a maior diminuição na taxa de variação homóloga ocorreu no município de Cascais, com uma queda de 6,6 pontos percentuais. Lisboa e Porto registaram, por sua vez, aumentos de 4,2 p.p. e 4,9 p.p. nas taxas de variação homólogas do 1.º para o 2.º trimestre de 2025.

No topo da pirâmide, “os municípios de Lisboa (4.865 €/m2), Cascais (4.346 €/m2), Oeiras (4.161 €/m2), Porto (3.309 €/m2), Odivelas (3.219 €/m2) e Almada (3.101 €/m2) apresentaram os preços da habitação mais elevados“, refere a mesma análise.

As sub-regiões da Grande Lisboa (3.403 €/m2), Algarve (3.123 €/m2), Península de Setúbal (2.511 €/m2), Região Autónoma da Madeira (2.381 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (2.278 €/m2) registaram preços da habitação superiores aos do país. “Destas regiões, evidenciaram-se, por apresentarem também taxas de variação homóloga superiores à nacional, a Península de Setúbal (+22,6%) e a Grande Lisboa (+21,5%)”, destaca o INE.

Nosegundo trimestre de 2025, o menor crescimento homólogo dos preços da habitação (12,5%) foi registado na sub-região Alto Minho. Já a sub-região Beiras e Serra da Estrela apresentou o menor preço mediano de venda de alojamentos familiares (715 €/m2).

Compras dos estrangeiros impulsionam preços

As transações realizadas por estrangeiros continuam a impulsionar os preços, sobretudo na Grande Lisboa. Segundo o INE, o valor mediano de alojamentos familiares transacionados em Portugal envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi 2.750 €/m2 (mais 12,1% do que no trimestre homólogo) e o das transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional foi 2.042 €/m2 (mais 20% do que no trimestre homólogo).

“As sub-regiões com preços medianos da habitação mais elevados apresentaram também os valores mais elevados envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro e em território nacional: Grande Lisboa (5.438 €/m2) e 3.358 €/m2, respetivamente), Algarve (3.672 €/m2 e 3.032 €/m2), Península de Setúbal (2.819 €/m2 e 2.504 €/m2), Região Autónoma da Madeira (3.002 €/m2 e 2.332 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (2.925 €/m2 e 2.268 €/m2)”, refere o instituto.

Nas sub-regiões Grande Lisboa e Área Metropolitana do Porto, o preço mediano das transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro superou, respetivamente em 61,9% e 29%, o preço das transações por compradores com domicílio fiscal em território nacional.

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