“Caminho certo passa por reforçar o mandato” do supervisor europeu das auditoras, diz Laginha de Sousa

O presidente da CMVM defende que deve haver uma harmonização das regras para as auditoras, sendo necessário reforçar os poderes do CEAOB, o organismo europeu que reúne os supervisores.

Luís Laginha de Sousa, presidente da CMVM, considera que deve haver um reforço dos poderes do Committee of European Auditing Oversight Bodies (CEAOB), o organismo que reúne os supervisores das auditoras europeias. Este é o “caminho certo” para se conseguir alcançar uma harmonização das regras entre os vários países, defende.

“O framework de supervisão atual funciona, mas nunca será um ponto final”, começou por dizer o presidente da CMVM no XV Congresso da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC) no Palácio da Bolsa, no Porto, esta quinta-feira.

Luís Laginha de Sousa recordou que, atualmente, cada país adapta as regras, o que cria divergências. Dados recentes “evidenciam disparidades relevantes neste processo de transposição”, notou o responsável, apontando para uma uniformização das normas a nível europeu.

“À luz disto, o que entendemos é que a evolução passa por um corpo único de normas endereçado a nível da União Europeia, com a possibilidade de acréscimos nacionais, mas só os estritamente necessários e devidamente fundamentados”, salientou Luís Laginha de Sousa.

Luís Laginha de Sousa, presidente da CMVM, no Congresso da OROC

Hoje, recordou, existe o CEAOB, um organismo que reúne os supervisores das auditoras europeias, mas que “não tem poderes vinculativos ou orçamento próprio” e a sua “capacidade de impulsionar a convergência efetiva permanece limitada”.

“Parece-nos que o caminho certo passa por reforçar o seu mandato”, o que pode permitir um ganho de eficiência, respeitando a proporcionalidade, salientou. Uma mudança das normas que, defende, deverá passar por uma auscultação pública dos stakeholders.

Em entrevista ao EContas, Panos Prodromides, presidente do CEAOB, revelou que apresentou uma proposta à Comissão Europeia para que haja um reforço dos poderes, podendo assim vir a tornar-se no supervisor único das auditoras europeias.

“No CEAOB criámos uma task force chamada Audit Regulation Directive que preparou um paper com várias sugestões de como melhorar a supervisão na Europa. Uma das principais sugestões é que os poderes do CEAOB têm de ser reforçados”, afirmou.

Na conferência do IESBA, em Lisboa, Maria Luís Albuquerque abriu a porta a uma mudança na supervisão. A comissária europeia afirmou que há uma fragmentação neste mercado que é prejudicial e que tem de ser resolvida, anunciando que a “Comissão Europeia vai lançar uma consulta pública sobre várias opções para reforçar a coerência da supervisão das auditoras”.

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