Certificados de Aforro têm o maior crescimento em 17 meses
Portugueses voltaram em força aos Certificados de Aforro em setembro, elevando o stock acima dos 39 mil milhões de euros e registando o crescimento anual mais forte desde abril de 2024.
Os portugueses voltaram em força aos Certificados de Aforro em setembro. O produto de poupança do Estado não só ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos 39 mil milhões de euros, como registou o maior crescimento homólogo desde abril de 2024, num movimento que consolida 12 meses consecutivos de aceleração da procura por este instrumento de dívida pública desenhado em exclusivo para o retalho.
Os dados divulgados pelo Banco de Portugal revelam que o stock de Certificados de Aforro atingiu um novo máximo histórico em setembro, registando um aumento homólogo de 15,2% – o crescimento anual mais expressivo dos últimos 17 meses. Em termos mensais, o produto cresceu 1,27%, com as famílias a aplicarem 491,4 milhões de euros em subscrições líquidas (descontando os resgates) durante o último mês.
Este renovado apetite dos aforradores surge num contexto favorável ao produto do Estado. A taxa de juro base dos Certificados de Aforro voltou a subir em setembro, fixando-se em 2,028%, após cinco meses consecutivos de queda que tinham feito a remuneração cair pela primeira vez abaixo dos 2% em agosto. Esta recuperação da taxa interrompeu uma sequência de descidas que se iniciou em abril deste ano e que tinha quebrado com o “período dourado” vivido pelos aforradores desde março de 2023.
A diferença de quase 70 pontos base entre a taxa base dos Certificados de Aforro (2,028%) e a média dos depósitos (1,34%) explica, em grande medida, o renovado interesse das famílias por este produto de poupança do Estado.
A subida da remuneração dos Certificados de Aforro está diretamente ligada ao comportamento da taxa Euribor a três meses, o indexante utilizado para calcular o juro base destes títulos. Desde o início de agosto que a Euribor a três meses registou uma trajetória de subida face aos valores do mês anterior, alcançando cotações que oscilaram entre 2,017% e 2,036% nas dez sessões que serviram de referência para o cálculo da taxa base de setembro.
Também a sustentar a crescente popularidade dos Certificados de Aforro está a contínua queda da remuneração dos depósitos que, até agosto (últimos dados disponíveis) acumula uma queda de 20 meses consecutivos, fixando-se em agosto numa taxa de juro numa média de 1,34%– o valor mais baixo desde maio de 2023.
Esta é a mais longa série de descidas da remuneração dos depósitos desde que há registos estatísticos, refletindo a estratégia dos bancos nacionais de ajustar rapidamente as condições oferecidas aos depositantes num contexto de queda das taxas Euribor. A diferença de quase 70 pontos base entre a taxa base dos Certificados de Aforro (2,028%) e a média dos depósitos (1,34%) explica, em grande medida, o renovado interesse das famílias por este produto de poupança do Estado.
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Certificados do Tesouro continuam em queda livre
Em contraste com o sucesso dos Certificados de Aforro, surge o chumbo contínuo dos Certificados do Tesouro. O stock destes títulos de dívida do Estado registou em setembro uma contração homóloga de 17,2% — a maior queda desde maio do ano passado — numa tendência de quedas anuais ininterruptas de mais de três anos, desde abril de 2022.
O valor total aplicado em Certificados do Tesouro situa-se atualmente ligeiramente acima dos 8,3 mil milhões de euros, o montante mais baixo desde janeiro de 2016. Esta queda sistemática, que se iniciou em outubro de 2021 quando atingiu um máximo de cerca de 17,9 mil milhões de euros, reflete tanto a alteração das condições de mercado como a preferência clara dos aforradores pelos Certificados de Aforro.
A diferença na evolução destes dois produtos de poupança do Estado ilustra bem as preferências dos investidores particulares. Enquanto os Certificados de Aforro oferecem maior flexibilidade – com possibilidade de resgate após três meses, subscrição mínima de apenas 100 euros e capitalização trimestral dos juros – os Certificados do Tesouro exigem um investimento mínimo de mil euros, têm um prazo fixo de sete anos e uma estrutura de juros crescente que tem perdido atratividade num contexto de incerteza sobre a evolução futura das taxas de juro.
Com o stock de Certificados de Aforro a superar pela primeira vez os 39 mil milhões de euros e a registar 12 meses consecutivos de aceleração homóloga, o produto de poupança do Estado volta a consolidar-se como uma das principais opções dos portugueses para aplicar as suas poupanças, beneficiando da combinação entre segurança — garantida pelo Estado — e uma remuneração que se mantém significativamente acima da oferecida pelos depósitos bancários tradicionais.
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