Francês Naval Group à procura de parceiros na indústria de defesa nacional
O grupo naval francês quer estar na mira do estado português no âmbito de uma eventual renovação da frota nacional e acena com parcerias locais com a indústria marítima e de defesa.
Com a despesa com defesa em Portugal a dar o maior salto anual em 11 anos no Orçamento de Estado 2026, e com o país a ter acesso a 5,8 mil milhões do programa Safe para investir nesse setor, o Naval Group colocou Portugal na sua mira de negócio. O construtor naval francês de navios e submarinos militares quer encontrar parceiros nacionais para a sua cadeia de valor. Até final de novembro, o Governo português terá de avançar com o pedido formal de assistência financeira a Bruxelas e apresentar um plano de investimento detalhado para o Safe.
“Uma vez que há um impulso [para a Defesa] nos países europeus com base no cenário político, sentimos que seria relevante abrirmos oficialmente este tipo de discussões com o ecossistema industrial português. Não só na defesa, mas também na indústria naval, incluindo estaleiros, com diferentes propósitos. Em primeiro lugar, potencialmente endereçar futuros pedidos das autoridades portuguesas, incluindo a Marinha, mas também tentar assegurar uma cadeia de fornecimento mais abrangente ao nível da União Europeia”, justifica Guillaume Weisrock, vice president sales & business development Europa e América do Norte do Naval Group, ao ECO, à margem do Industry Day organizado com o AED Cluster, esta quinta-feira, no CCB, em Lisboa.
O construtor de navios e submarinos militares — detido maioritariamente pelo Estado francês e em mais de 30% pela Thales — já trabalha com 50 marinhas de vários países, como o Brasil (com quem desenvolveu um programa em torno da compra de submarinos convencionais, com a criação de um estaleiro e construção local desse equipamento militar) ou a Grécia, um dos países que compraram fragatas e que, através de um estaleiro grego, está igualmente a produzir partes do casco das novas fragatas que serão montadas em França. A primeira acaba de ser entregue à Marinha francesa.

Drones na mira
Os dois países foram apresentados como exemplo do tipo de parcerias que o grupo está disposto a fazer caso Portugal, no âmbito de uma potencial renovação da sua frota naval, decida pelo Naval Group. Mas querem igualmente parceiros nacionais para reforçar a sua cadeia de fornecedores nos vários projetos que o grupo desenvolve. “Não podemos ter uma sustentabilidade sem envolver o mais possível, se não exclusivamente, a indústria local. Numa escala mais alargada, é também uma oportunidade para além do R&D, para além dos navios, envolver a indústria portuguesa de defesa e marítima”, diz Guillaume Weisrock.
Em Portugal, o grupo desde 2019 tem vindo a desenvolver parcerias com empresas locais do setor, no âmbito de projetos europeus, como é o caso do E-NACSOS — um programa financiado pelo European Defence Fund (EDF), com um total de 100 milhões e cerca de 65 milhões de fundos europeus —, programa liderado pelo Naval Group e que, entre os parceiros, tem a Edisoft (joint venture entre a Thales, a NAV Portugal e a EMPORDEF).
Existe um ecossistema muito próspero em torno dos drones, sistemas de missão, inteligência artificial e, claro, havendo um acesso remoto, segurança cibernética. Essas são as ferramentas de guerra do futuro. Nesse sentido, sim, queremos fechar alguns negócios.
Neste momento, globalmente 15% das compras do grupo já são feitas junto a fornecedores internacionais — sendo o objetivo subir essa fatia para 30% — havendo um total de 400 fornecedores estrangeiros a trabalhar com o grupo naval.
“Somos integradores de sistema. Desenhamos, construímos partes, mas sempre prosperamos com a inovação e o valor oferecido pelos nossos parceiros”, diz Guillaume Weisrock.
Vigilância, “tudo o relacionado com sistemas de combate e eletrónica”, mas também a indústria de estaleiros, para a manutenção dos equipamentos — esta semana voltou a reunir com o Arsenal do Alfeite (uma de muitas reuniões ao longo dos anos, diz, quando questionado sobre o propósito desse encontro) — são áreas em que o grupo está a olhar com particular atenção nas conversas que quer manter com potenciais fornecedores nacionais, mas também na área de drones.
“Existe um ecossistema muito próspero em torno dos drones, sistemas de missão, inteligência artificial e, claro, havendo um acesso remoto, segurança cibernética. Essas são as ferramentas de guerra do futuro. Nesse sentido, sim, queremos fechar alguns negócios”.
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