Francisco Pinto Balsemão “nunca será uma nota de rodapé”
"Podia ter vivido de heranças", mas nunca desistiu de "deixar uma marca no mundo" e "o facto de ter deixado uma marca no mundo" é o seu "principal legado". O último adeus a Balsemão.
“Francisco Pinto Balsemão era e foi o nosso herói. Viveu uma vida íntegra e digna. Estava ciente, tal como os heróis da mitologia grega, do seu destino especial. Nunca será, como uma vez escreveu, uma mera nota de rodapé na história, não só porque marcou a vida do nosso país, como também a vida de uma família que tanto orgulho tem nele e da qual ele tanto se orgulhava. Uma família que herdou esse destino especial, um amor, um exemplo e os valores que praticaremos e que prometemos passar para as próximas gerações”. É desta forma que Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo Impresa, termina a leitura nas cerimónias fúnebres de “Hugo”, o petit nom dado em família a Balsemão, por ser o “The Boss”.
Num discurso no qual começa por aludir ao herói imperfeito, como são todas as pessoas e os heróis, que não levava os filhos à escola e “se entrou duas vezes na cozinha foi por engano”, Francisco Pedro descreveu o pai, avô e marido, antes de entrar na dimensão pública do ex-primeiro-ministro e fundador do Expresso e da SIC, que “apesar de injustiçado pela classe política, mesmo depois do seu papel na construção da democracia”, nunca virou costas.
“Podia ter vivido de heranças”, mas nunca desistiu de “deixar uma marca no mundo” e “o facto de ter deixado uma marca no mundo é o principal legado que deixa aos seus filhos e netos”, concluiu o filho mais novo de Francisco Pinto Balsemão.
O discurso de Francisco Pedro Balsemão foi antecedido pelo de Marcelo Rebelo de Sousa, que descreveu Balsemão como um “visionário”, que “antecipava tempos”, “rompia barreiras” e “construía futuros com rasgo”.
O último adeus a Francisco Pinto Balsemão reuniu ao início da tarde desta quinta-feira centenas e centenas de figuras públicas, de todos os quadrantes, e anónimos no Mosteiro dos Jerónimos. Com honras militares, a missa foi presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa Emérito, D. Manuel Clemente, vencedor do primeiro Prémio Pessoa, galardão criado pela Impresa.
Já no final da tarde e noite de quarta-feira, no velório, a fila para homenagear o fundador da SIC e do Expresso prolongou-se por mais de quatro horas, com dezenas e dezenas de testemunhos, sobretudo de políticos e jornalistas, que foram sendo transmitidos pela SIC Notícias. Os adjetivos utilizados para qualificar a vida e obra do militante número 1 do PPD/PSD e ex-primeiro-ministro convergiam sobretudo numa palavra: liberdade.
“Por teu livre pensamento; Foram-te longe encerrar; Por teu livre pensamento; Foram-te longe encerrar”, cantou Camané, que interpretou “Abandono”, de David Mourão-Ferreira, no final da missa, com o cortejo fúnebre a seguir para o edifício da Impresa, em Paço de Arcos.
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