Banqueiros têm “boas expectativas” sobre Santos Pereira, mas aguardam para ver alívio da regulação

Banqueiros têm boas expectativas em relação ao mandato de Álvaro Santos Pereira à frente do Banco de Portugal, mas há dúvidas sobre se conseguirá ajudar a simplificar regulação.

Pode o novo governador do Banco de Portugal ajudar a simplificar a regulação da banca? Os líderes dos principais bancos têm boas expectativas em relação ao mandato de Álvaro Santos Pereira à frente do regulador da banca, mas há algum ceticismo em relação a um eventual alívio do fardo regulatório sobre o setor.

“Dizer assim ‘mais simplificação com a mesma regulação’… eu não sei o que é, sinceramente eu não sei o que é, mas pronto, eu acho que já passei esse tema, acho que não vale a pena”, atirou o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, na conferência Money Summit, organizada pela EY e Expresso.

As expectativas sobre o governador são todas positivas. Relativamente à regulação tenho expectativas zero, não só para a nacional como para a europeia. Em nenhumas, acho que não vai acontecer rigorosamente nada, até porque há muita gente que trabalha nestas áreas, não é?”, acrescentou o gestor.

Mais otimista está Miguel Maya (BCP), que também deixou elogios ao novo governador. “Tem um currículo que é conhecido, tem provas de vida que são conhecidas (…) tem todas as condições para poder transformar o futuro”, disse.

“O que eu espero é a capacidade de nos ajudar a todos, não é aos bancos, é a todos, a criar um enquadramento em que os bancos possam criar mais valor para a sociedade. É isto que eu espero do novo governador. E não ficarmos agarrados a preconceitos e, muitas vezes, a regras, que são regras que até podem fazer sentido em determinados contextos, mas quando os contextos mudam é absolutamente necessário readaptar as regras”, reforçou.

O líder do BCP deu uma ideia do ‘fardo regulatório’ que o setor carrega. Por exemplo, nos últimos cinco anos entraram em vigor 13 mil novos regulamentos só para o setor financeiro. “Recebo dos supervisores três pedidos por dia útil. Eu tenho de estudar hoje, não é mais, é muito mais do que nos anos mais exigentes da faculdade”, considerou.

Para Miguel Maya, se a regulação “melhorou substancialmente” as condições da banca nos últimos anos, é importante pensar que “quando se amplificam todos os sons, deixa-se só ouvir o som”. “Quer dizer, é uma mistura de tudo”.

No mesmo sentido, Luís Pereira Coutinho, administrador da Caixa Geral de Depósitos, também admitiu que “a regulação foi muito importante para os bancos”. “Evoluíram muitíssimo, em boa medida, por iniciativa da regulação. Gerem muito melhor os seus riscos, identificam-nos muito melhor e têm muito melhor controle sobre os seus riscos. Estão mais sólidos, mais líquidos, são mais bem governados e geridos”, explicou.

Porém, “há exageros que são dispensáveis e que são relativamente fáceis de resolver”, observou.

Um “tema mais complicado” diz respeito às camadas de regulação, “umas sobrepostas, em alguns casos contraditórias”, precisou. “Uns vêm de legislação, outros vêm do BCE, outros vêm da EBA, outros vêm depois das supervisões locais. Outras vêm com o tempo. Há camadas de regulação umas em cima das outras e que são, às tantas, completamente ingeríveis. E desfazer este conjunto de camadas não é tarefa nada fácil”, disse o ex-CEO do Banco CTT sem fazer comentários sobre o novo governador.

Pedro Castro e Almeida, líder do Santander Totta, considerou que Mário Centeno teve um “ótimo” mandato à frente do Banco de Portugal e que tem “boas expectativas” em relação ao trabalho de Santos Pereira.

Não deixou de reconhecer, ainda assim, que “o mandato do Banco de Portugal não é assim tão grande no âmbito da União Europeia como as pessoas também acham”, mas o regulador da banca “pode fazer a diferença em pequenas coisas”.

Como os outros banqueiros, Castro e Almeida criticou o excesso de regulação no setor. E embora considere positiva a criação do Mecanismo Único de Supervisão, este supervisor europeu “não tem qualquer tipo de incentivo para uma agenda de crescimento”.

Que é como educar um filho, exemplificou. “O filho não pode sair de casa, tem de ficar ali, só pode comer peixinho e salada todos os dias, e depois vemos que monstro é que se torna ao fim de dez anos”.

“E isto é o incentivo que nós temos em termos da Europa. É um incentivo de zero risco”, atirou.

Pedro Leitão, CEO do Banco Montepio, comentou que ouviu “com atenção” as palavras de Santos Pereira na tomada de posse em relação à agenda que leva para o Banco de Portugal. “Estamos expectantes com a entrega”, afirmou o gestor.

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