Empresas de telecomunicações pedem reformas a Bruxelas para evitar “castelo de cartas” na indústria europeia
Mais de 20 CEO, entre os quais Ana Figueiredo (Meo) e Margherita Della Valle (Vodafone), escreveram a Ursula von der Leyen a pedir para “agir já” e avançar na Lei das Redes Digitais.
Os líderes de mais de 20 empresas de telecomunicações, entre os quais Ana Figueiredo, CEO da Meo, e Margherita Della Valle, CEO do grupo Vodafone, escreveram esta terça-feira uma carta à presidente da Comissão Europeia a pedir para pôr em prática reformas na área da digitalização que permitam recuperar o atraso perante os Estados Unidos e a China.
Bruxelas “precisa de agir já”, pedem os presidentes das operadoras e outras organizações do setor. Os autores da missiva vão mais longe e expressam uma “profunda preocupação” com as “ações lentas e tímidas” da Comissão Europeia, que põem em risco os planos para o futuro do digital na Europa.
“O seu programa político, tal como expresso nas suas Cartas de Missão e apoiado pelas recomendações pertinentes do relatório de Mario Draghi, com um ano de existência – exaustivamente investigado e amplamente aceite como a direção certa para a Europa – merece ser posto em prática com o mais alto nível de ambição”, apelam.
Para as empresas, é preocupante que a Comissão Europeia tenha tomado para o mandato de 2024-2029 há quase um ano (no dia 1 de dezembro de 2024) com o objetivo de restaurar a competitividade da Europa, mas pouco se tenha feito além de um “impulso para a reforma”. “Tememos que, no que diz respeito à política digital, esta possa ser perdida para a resistência à mudança”, explicam.
Segundo as telecoms, há “oportunidades, tanto económicas como sociais, a serem perdidas”, porque só 2% dos europeus estão ligados a redes de 5G ‘puro’ (standalone), o que compara em baixa com um quarto dos norte-americanos e 77% chineses. Isso prejudica a extração do “máximo valor” dos dados para explorar o verdadeiro potencial da inteligência artificial e, consequentemente, o tecido empresarial.
As potências industriais europeias, desde a indústria automóvel às fintechs, poderão em breve tornar-se castelos de cartas sem a conectividade necessária para explorar, escalar e explorar novos serviços. A Comissão tem o poder de ajudar a inverter esta tendência. É por isso que o Regulamento das Redes Digitais (DNA – Digital Networks Act ) representa uma oportunidade crucial.
O tema da consolidação volta a ser mencionado indiretamente com um alerta sobre a necessidade de escala – num Velho Continente onde há 100 operadores em 27 países – e a lembrança de que “não é barato” fornecer e manter infraestruturas digitais e que os operadores de redes móveis na Europa investiram mais de 500 mil milhões de euros na última década na implementação do 5G.
“A Comissão Europeia deve agir com ousadia para reconhecer a ligação entre escala e investimento, e um quadro regulamentar bastante simplificado que aumente as capacidades de investimento para todos os setores industriais no contexto da comunicação e da computação (…). Trata-se de uma oportunidade que simplesmente não pode ser desperdiçada”, concluem os signatários.
A lista de assinantes inclui Thomas Arndoldner, vice-CEO do grupo A1 Telekom Austria, Amel Kovačević, general manager da BH Telecom, Allison Kirkby, CEO da BT, Robert Finnegan, vice-presidente do CK Hutchison Group Telecom, Georgios Metzakis, CCO e acting CEO da Cyprus Telecommunications Authority (CYTA), Timotheus Höttges, CEO da Deutsche Telekom, Börje Ekholm, presidente e CEO da Ericsson, Massimo Sarmi, presidente e CEO da FiberCop, Joost Farwerck, presidente e CEO da KPN, Mike Fries, CEO da Liberty Global e Justin Hotard, presidente e CEO da Nokia.
Fazem ainda parte dos signatários Christel Heydemann, CEO da Orange, Stijn Bijnens, CEO do grupo Proximus, Christoph Aeschlimann, CEO da Swisscom, Michel Jumeau, CEO da TDC Net, Marc Murtra Millar, presidente e CEO da Telefónica, Vladimir Lučić, CEO da Telekom Srbija, Benedicte Schilbred Fasmer, presidente e CEO do grupo Telenor, Pietro Labriola, CEO da TIM, Vivek Badrinath, diretor-geral da GSMA e Alessandro Gropelli, diretor-geral da associação Connect Europe.
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