Ministro da Economia garante “incentivo” a investidores privados. “Lucro não é problema”

Castro Almeida confia que “é das empresas que virá a solução para os problemas” do país e que Portugal vai “utilizar a totalidade das subvenções do PRR".

O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, aproveitou o debate do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) para traçar os “cinco pilares estratégicos essenciais” em que deve assentar aquilo que classificou como “uma nova ambição” para Portugal: incentivo ao investimento privado; reforço do investimento público; aposta firme na inovação; aumento das exportações; e rentabilidade económica e social dos fundos europeus.

No que toca ao incentivo ao investimento privado, que classificou como “aquilo que verdadeiramente cria riqueza e gera emprego”, Castro Almeida apontou que “os investidores privados sabem que contam com o incentivo do Governo”. “Para este Governo não há qualquer problema com o crescimento das empresas. Do que precisamos é que as pequenas passem a médias e as médias passem a grandes. Para nós, o lucro não é um problema. Problema são os prejuízos”, ilustrou.

“Quando baixamos a taxa de IRC, o objetivo é claro: atrair novo investimento e libertar fundos que possam dinamizar o investimento existente. Para que as empresas possam crescer, os lucros de hoje são o capital próprio do investimento de amanhã. E como os empreendedores gostam de previsibilidade, o Governo já fixou o caminho de descida do IRC para os próximos três anos”, sublinhou.

Quando baixamos a taxa de IRC, o objetivo é claro: atrair novo investimento e libertar fundos que possam dinamizar o investimento existente

Manuel Castro Almeida

Ministro da Economia e da Coesão Territorial

Na resposta aos deputados, em dia de aniversário, Manuel Castro Almeida voltou a dizer que o Executivo “confia nas empresas” para impulsionar o crescimento económico, pois “é de lá que virá a solução para os problemas” do país. “Os empresários portugueses já perceberam que este Governo é parceiro das empresas”, notou.

Mas também o setor público está a “fazer a sua parte” no investimento, calculando o governante que no primeiro semestre deste ano esse indicador cresceu 6,7%. “Estamos a fazer bem a nossa parte. Se o país todo conseguir acompanhar a posição do Governo, chegaremos aos resultados desejados”, vaticinou.

Portugal vai “utilizar a totalidade das subvenções do PRR”

Durante uma intervenção na Assembleia da República, o ministro que tutela também a pasta da Coesão Territorial, lembrou que nas últimas décadas “não houve crescimento, mas estagnação”, acrescentando que o país esteve “três décadas sem sair do mesmo sítio, 30 anos a marcar passo”.

Disse ainda que é preciso “romper com a estagnação” e uma “nova ambição” que, garante, “já deram os primeiros passos”, descrevendo o que considera ganhos no tempo de governação que leva a AD. “Mas estamos ainda muito longe do objetivo da média europeia”, admitiu.

Já em relação ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), disse aos deputados que o sétimo pedido de pagamento já foi recebido na totalidade e que o oitavo pedido será “apresentado este ano, dentro do prazo fixado”. “Não vale a pena os profetas da desgraça teimarem em profecias de fracasso. A verdade é que vamos utilizar a totalidade das subvenções do PRR”, assegurou.

Depois de ser questionado pelas bancadas parlamentares da oposição sobre o tema da bazuca europeia, o ministro insistiu que “não há riscos de incumprimento do PRR”. “Há muitas dificuldades porque isto começou com grande atraso, mas chegaremos ao final com as subvenções integralmente cumpridas”, garantiu.

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