Direção executiva do SNS manda hospitais cortarem despesa em 2026, mesmo que signifique abrandar atividade

  • ECO
  • 29 Outubro 2025

Para acomodar o aumento da despesa com pessoal (5%) prevista para o próximo ano, terão de ser aplicados cortes nas aquisições e a produção dos hospitais não poderá ultrapassar a de 2025.

A direção executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) instruiu os hospitais públicos a cortarem na despesa no próximo ano, mesmo que isso implique abrandar o ritmo crescente de cirurgias, consultas e outros cuidados, avança esta quarta-feira o jornal Público. A ordem, dada numa reunião com dirigentes das unidades locais de saúde, é para reduzir os gastos com medicamentos, produção adicional (como as cirurgias fora do horário para aliviar as listas de espera), prestadores de serviço e contratações de pessoal.

Num contexto de procura crescente do SNS, a mensagem transmitida pelo diretor executivo, Álvaro Almeida, está a gerar preocupação e críticas no setor. Alguns dirigentes hospitalares presentes na reunião ficaram com a perceção de que 2026 será um ano difícil para o SNS do ponto de vista orçamental, já que, para acomodar o aumento da despesa com pessoal (5%) prevista para o próximo ano, terão de ser aplicados cortes nas aquisições e a produção dos hospitais não poderá ultrapassar a de 2025.

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) não esteve presente na reunião, mas, reagindo a esta ordem, diz ser “incompreensível que se trave a atividade dos hospitais”. Xavier Barreto nota que travar a atividade assistencial “pode ser grave para alguns doentes” e que, do ponto de vista da gestão do SNS, adiar cuidados de saúde acaba por sair mais caro. “Fala-se muito que o SNS tem um grande retorno porque as pessoas doentes não trabalham e não produzem, mas depois ignoramos tudo isso quando estamos a definir políticas públicas”, lamenta ainda o responsável da APAH.

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