Meo vai investir em amarração de cabos submarinos na região do Porto
O plano da empresa passa ainda por criar um centro de interligação de redes internacionais na Área Metropolitana do Porto e expandir o de Linda-a-Velha, no concelho de Oeiras.
A Meo vai investir num novo ponto de amarração de cabos submarinos (cable landing station) e abrir um centro de interligação de redes internacionais na Área Metropolitana do Porto para reforçar o desenvolvimento das infraestruturas digitais na zona norte de Portugal.
O objetivo é “posicionar melhor Portugal enquanto ponto de aterragem de cabos submarinos para o mundo”, porque “o futuro começa no presente”, anunciou a CEO da operadora de telecomunicações, Ana Figueiredo, na 2ª edição da conferência sobre conectividade Atlantic Convergence, que decorre em Lisboa.
O plano da empresa passa ainda por expandir o centro de redes (carrier house) que tem em Linda-a-Velha, no concelho de Oeiras. Inaugurado em outubro de 2023, com um investimento de três milhões de euros, o centro “Altice LdV” está num edifício de três mil metros quadrados, dentro do campus onde era a antiga Marconi, e permite a interligação aberta de operadores a redes locais e globais.
Depois da Área Metropolitana de Lisboa, a Altice Portugal pretende fazer o mesmo a norte. Questionada pelo ECO sobre os valores do investimento e previsões de execução destes planos, fonte oficial da Meo disse apenas que “esta estratégia é sustentada pela experiência bem-sucedida da carrier house de Linda-a-Velha, que iremos expandir brevemente”, sem adiantar valores.
Ana Figueiredo fez referência à necessidade de soberania digital da Europa. “A Europa precisa de liderar de novo, de recuperar a liderança da inovação digital. Precisamos — e temos — de investir em infraestrutura digital. A Europa tem o talento, a engenharia e a visão para ser melhor e mais ousada”, afirmou a CEO da Meo, em linha com a mensagem passada na carta enviada esta terça-feira à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
No palco desta conferência no Pátio da Galé esteve ainda o CEO da EllaLink, para quem 2025 será um ano dinâmico para Portugal em geral e para Sines em particular. “É a ascensão da inteligência artificial [IA]. A escala do projeto da Start Campus, agora com a recente parceria da Nvidia, é gigante não só para o país como para a toda a Europa e para esta indústria”, referiu Philippe Dumont.
O presidente executivo da EllaLink — empresa irlandesa que está a cargo do cabo transatlântico ligado ao megacentro de dados em Sines — alertou ainda para a importância de, mais do que construir, interligar os que estão construídos. “Vemos que os hyperscalers estão a construir data centers e data centers, mas continuamos a ter de conectar as pessoas a estes data centers com cabos submarinos”, explicou.
Problemática também abordada por John Harrington, vice-presidente executivo da Nokia, que advertiu para o facto de 72% dos cabos submarinos globais estarem a aproximar-se do seu limite de capacidade. “Precisamos da colaboração das ‘telcos’ neste ecossistema”, apelou, acrescentando que a tal “ascensão” da IA, sobretudo da chamada IA agêntica (máquinas a falarem com máquinas) vai fazer com que o tráfego associado à IA vá representar, pelo menos, um terço do tráfego total em 2030.
Para a presidente do conselho de administração da Anacom, Sandra Maximiano, as interconexões são “oportunidade extraordinárias para acolher data centers, atrair investimento em talento e no ecossistema digital”.
Quem também marcou presença na Atlantic Convergence foi Tesh Durvasula, CEO da AtlasEdge, precisamente um dia após a multinacional britânica ter inaugurado o seu primeiro data center em Portugal.
O LIS001 localiza-se em Carnaxide, com 5,1 MW de capacidade, uma área de 3.162 metros quadrados, e envolve um investimento superior a 500 milhões de euros.
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