BCE não surpreende na primeira reunião de Álvaro Santos Pereira e mantém taxas de juro inalteradas

Pela terceira vez consecutiva, o Conselho do BCE decidiu não mexer nas taxas diretoras, deixando a taxa de facilidade de depósitos nos 2%, à boleia de uma inflação controlada e perto da meta do BCE.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve esta quinta-feira as taxas de juro inalteradas, cumprindo à risca o que esperavam os economistas e analistas. A decisão marca a terceira reunião consecutiva do Conselho do BCE sem alterações em matéria de taxa de juro, e consolida a pausa num ciclo que, entre junho do ano passado e junho deste ano, levou os custos de financiamento do euro a cair 200 pontos base.

Agora, com a inflação próxima da meta do BCE dos 2% e a economia europeia a dar sinais de resiliência, Frankfurt considera que chegou o momento de segurar o volante e abrir a porta a que as taxas se mantenham congeladas por um período longo.

“A inflação permanece num nível próximo do objetivo de médio prazo de 2% e a avaliação das perspetivas de inflação efetuada pelo Conselho do BCE mantém‑se, em geral, inalterada”, justifica o BCE em comunicado, numa reunião que fica marcada pela primeira participação de Álvaro Santos Pereira no Conselho do BCE, desde que tomou posse como governador do Banco de Portugal no início deste mês.

A taxa de depósitos ficou nos 2%, exatamente onde estava desde julho. O mesmo sucedeu com a taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez, que permanece nos 2,15%, e com a taxa de operações principais de refinanciamento, que também não sofreu alterações, mantendo-se nos 2,4%.

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Mas não é só a inflação que tranquiliza os governadores. A economia da Zona Euro tem demonstrado uma capacidade de resistência que, há poucos meses, seria difícil de antever. “A economia continuou a registar crescimento, não obstante a conjuntura mundial difícil”, destaca o banco central em comunicado, sublinhando três pilares fundamentais que sustentam esta resiliência: “a robustez do mercado de trabalho, a solidez dos balanços no setor privado e as anteriores reduções das taxas de juro decididas pelo Conselho do BCE”.

Esta combinação de fatores oferece ao BCE margem de manobra para adotar uma postura mais cautelosa, evitando mexidas precipitadas que possam comprometer a estabilidade alcançada. Desta forma, com a inflação ancorada perto da meta e a economia a crescer moderadamente, não há razão para acelerar ou travar bruscamente as taxa de juro.

Incertezas à espreita no horizonte global

Apesar do cenário relativamente tranquilo na área do euro, o BCE não esconde as preocupações com o contexto internacional. “As perspetivas ainda são incertas, em particular devido à continuação dos litígios comerciais e das tensões geopolíticas a nível mundial”, alerta o comunicado, numa referência implícita às disputas tarifárias entre grandes potências económicas e aos conflitos que continuam a afetar a estabilidade global.

Estas incertezas explicam, em parte, a abordagem prudente que Frankfurt tem adotado nas últimas reuniões. Com tantas variáveis em jogo — desde as negociações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos até à persistente guerra na Ucrânia –, o BCE prefere esperar para ver antes de ajustar novamente os juros.

O BCE reforça ainda que a estratégia de política monetária continuará a ser orientada pelos dados e decidida reunião a reunião, sem pré-compromissos quanto ao futuro. “O Conselho do BCE está determinado a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo”, sublinhando ainda que “seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para decidir a orientação apropriada da política monetária”.

A decisão de manter inalteradas as taxas de juro reúne consenso entre economistas e analistas. A grande maioria dos especialistas não antecipa mexidas nas taxas até ao final do ano, e muitos estendem essa previsão até 2026 e 2027.

Esta formulação, referida repetitivamente em comunicados anteriores, deixa claro que o banco central não quer amarrar-se a um calendário rígido de alterações de juros. “Mais especificamente, as decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas — à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”, esclarece o comunicado.

“O Conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica”, esclarece o banco central. Uma frase que encerra a discussão e deixa todas as portas abertas para os próximos meses.

A decisão desta quinta-feira, tomada em Florença após dois dias de discussão, reúne consenso entre economistas e analistas. A grande maioria dos especialistas não antecipa mexidas nas taxas até ao final do ano, e muitos estendem essa previsão até 2026 e 2027.

Com a inflação na Zona Euro a situar-se nos 2,2% em setembro, ligeiramente acima da meta, mas dentro de níveis considerados confortáveis, e com as perspetivas de crescimento a apontarem para uma melhoria gradual — especialmente com o impulso fiscal esperado em países como a Alemanha –, o BCE parece determinado a manter o atual nível de taxas por um período prolongado.

A próxima reunião do Conselho do BCE, que terá lugar a 17 e 18 de dezembro em Frankfurt, que incluirá novas projeções económicas estendendo-se até 2028, poderá trazer mais clareza sobre o rumo da política monetária. Até lá, o banco central continuará a monitorizar os dados, pronto para ajustar o curso se necessário, mas sem pressa para mexer num volante que, neste momento, parece estar bem calibrado.

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