Trump corta tarifas à China após “reunião incrível”, mas investidores não alinham nos festejos
Trump classificou conversações com Xi Jinping como "12 em 10" e salientou esforço da China para controlo do tráfico de fentanil.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou esta quinta-feira que chegou a acordo com o presidente chinês Xi Jinping para reduzir as tarifas sobre a China em troca de Pequim reprimir o comércio ilícito de fentanil, retomar as compras de soja dos EUA e manter o fluxo de exportações de terras raras.
As conversas de Trump com Xi na cidade sul-coreana de Busan, as primeiras desde 2019, marcaram o final de uma viagem relâmpago pela Ásia, na qual também anunciou avanços comerciais com a Coreia do Sul, o Japão e países do Sudeste Asiático.
“Foi uma reunião incrível”, disse Trump citado pela Reuters a bordo do Air Force One depois de deixar a Coreia do Sul, classificando as conversas como “12 em 10”.
Trump disse que as tarifas sobre as importações chinesas seriam reduzidas de 57% para 47%, com a redução para 10% da taxa de tarifas relacionadas com o comércio de drogas como o fentanil.
O entusiasmo de Donald Trump não teve, no entanto, reflexo nos mercados financeiros, com os investidores a demonstrarem cautela, pelo menos por agora. Na Europa, os principais índices acionistas negoceiam de forma geral em terreno negativo, com os investidores mais focados nos resultados da tecnológicas dos EUA — especialmente a preocupação com o investimento exigido na inteligência artificial. O índice Stoxx Europe 600, por exemplo, recua 0,40% para 574,14 pontos.
Do outro lado do Atlântico, os futuros dos índices em Wall Street seguem sem tendência definida e variações limitadas, com os investidores focados nas tecnológicas, mas também na incerteza sobre o rumo da política monetária depois da conferência de imprensa do presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, esta quarta-feira, na qual disse que um novo corte nas taxas de juro em dezembro está longe de assegurado.
No mercado petrolífero, os preços estão em queda, com os investidores a avaliaram a trégua na disputa comercial. Os futuros do petróleo Brent descem 53 cêntimos, ou 0,82%, para 64,39 dólares por barril, enquanto os do West Texas Intermediate dos EUA recuam 46 cêntimos, ou 0,76%, para 60,02 dólares.
O dólar americano regista uma ligeira descida em relação à maioria das principais moedas, com exceção do iene. O euro sobe 0,2% face à moeda norte-americana para 1,16215 dólares, antes da decisão de política monetária do Banco Central Europeu, na qual se espera que as taxas sejam mantidas inalteradas pela terceira reunião consecutiva.
Fentanil e terras raras no acordo
A China irá esforçar-se “muito para impedir o fluxo” do fentanil, um opioide sintético mortal que é a principal causa de mortes por overdose nos Estados Unidos, disse Trump.
Pequim concordou ainda em suspender temporariamente os controlos à exportação anunciados este mês sobre terras raras, que têm funções vitais em automóveis, aviões e armas e que se tornaram a fonte mais potente de influência chinesa na sua guerra comercial com os Estados Unidos.
A suspensão vai durar um ano, informou o Ministério do Comércio da China, em comunicado. Acrescentou que as duas partes também chegaram a um consenso sobre a expansão do comércio agrícola e irão trabalhar para resolver questões relacionadas com a aplicação de vídeos curtos TikTok, que Trump pretende colocar sob controlo dos EUA.
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