ISDIN e África Directo ultrapassam as 5.200 pessoas com albinismo atendidas em Moçambique contra o cancro de pele
Na sua sexta expedição médica, em outubro de 2025, uma equipa de 17 dermatologistas voluntários de todo o mundo deslocou-se a seis províncias moçambicanas e, em dez dias, atendeu 1.292 pessoas.
A ISDIN, laboratório internacional líder em fotoproteção e dermatologia, e a fundação África Directo têm prestado assistência, desde 2022, a mais de 5.200 pessoas com albinismo em Moçambique para prevenir e tratar o cancro de pele, que afeta especialmente esta comunidade.
Os profissionais de saúde, provenientes de oito países – Espanha, Brasil, Chile, Estados Unidos, Itália, México, Peru e Portugal –, realizaram exames cutâneos, tratamentos para eliminar pequenas lesões pré-cancerosas com crioterapia e 329 cirurgias em crianças e adultos para extirpar cancros de pele. Além disso, a expedição deste ano, a de maior alcance até à data, cresceu com novas áreas de atuação nas províncias de Inhambane e Nampula, que se somam às de Tete, Gaza, Sofala e Maputo.
«98% das pessoas com albinismo em Moçambique não chegam aos quarenta anos e o cancro cutâneo é a principal causa de morte, o que é impensável hoje em dia em países mais desenvolvidos», explica Cristina Abellaneda, dermatologista espanhola e líder da expedição. A falta de recursos do país — que conta com apenas 20 dermatologistas para mais de 35 milhões de habitantes —, bem como a alta prevalência do albinismo no continente africano — 10 vezes superior à de outras regiões como a Europa ou a América do Norte — evidenciam a necessidade das expedições dermatológicas.
O projeto da ISDIN e da Fundação África Directo também promove a sensibilização para a importância da fotoproteção como ferramenta essencial para reduzir a incidência do cancro da pele. Este ano, foi organizada a Campanha de Fotoproteção para famílias, na qual 165 crianças com albinismo participaram num dia que combinou exames dermatológicos e atividades lúdicas ao ar livre. «A dermatologia é muito mais do que cosmética… Pode salvar vidas. E poder identificar uma criança e potencialmente impedir a sua morte prematura é indescritível», afirma Latanya Benjamin, dermatologista pediátrica norte-americana que integra a expedição.
O trabalho de sensibilização que está a ser realizado desde a primeira expedição já começa a ter resultados visíveis. «Os resultados de cada expedição mostram-nos que estamos no caminho certo: na cidade de Xai-Xai, por exemplo, um dos primeiros locais onde intervimos, houve dias em que foram realizadas cerca de 80 consultas e não foi detetado nenhum tumor», explica Juan Naya, CEO da ISDIN, que também participou na expedição.
ATENÇÃO INTEGRAL
A condição genética das pessoas com albinismo muitas vezes acarreta alterações visuais importantes decorrentes da falta de pigmento na retina. Com o objetivo de oferecer uma atenção mais integral, esta expedição contou pela primeira vez com a intervenção de um optometrista, graças à colaboração com a Fundação Barraquer.
Para além do âmbito sanitário, as pessoas com albinismo em Moçambique continuam a ser alvo de graves violações dos direitos humanos, sofrendo discriminação, mutilações e até assassinatos devido a falsas crenças e mitos sobre este coletivo.
A assistência prestada durante a expedição também contribuiu para a inclusão e o reconhecimento deste coletivo. Assim, o impacto transformador do projeto ultrapassa o âmbito clínico, oferecendo esperança, dignidade e visibilidade a um grupo historicamente marginalizado. «Lembro-me de um paciente que, após a intervenção, se ajoelhou no chão e fez um gesto como se estivesse a rezar, como se estivesse a rezar por mim e a agradecer-me. Algo que nunca me tinha acontecido na vida», afirma Pietro Sollena, dermatologista italiano e também líder da expedição.
A ISDIN também está a promover a formação de centenas de profissionais de saúde de Moçambique através do programa especializado em albinismo e cancro de pele da International School of Derma (ISD). Até ao momento, 207 participantes — entre médicos e estudantes de medicina — de Moçambique se inscreveram no curso, que visa fortalecer os seus conhecimentos para prevenir, detetar e tratar o cancro de pele em pessoas com albinismo. Entre os inscritos, 67 são médicos de hospitais de todo o país e 140 são estudantes de centros como a Universidade Eduardo Mondlane de Maputo e as Universidades Católica de Moçambique e Zambeze de Beira.
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