Lucros da Corticeira Amorim encolhem 4,5% até setembro. Todos os negócios perdem vendas

Vendas consolidadas da Corticeira Amorim baixaram 6,8% nos primeiros nove meses do ano, para 676,5 milhões de euros. Incêndio em Espanha provoca danos patrimoniais e prejuízos avaliados em 7 milhões.

A Corticeira Amorim encerrou os primeiros nove meses deste ano com um resultado líquido de 45,68 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 4,5% face ao período homólogo, indicou o grupo de Santa Maria da Feira num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Com as três unidades de negócio a perderem vendas (Amorim Cork: -1,4%; Amorim Florestal: -5,9%; Amorim Cork Solutions: -24,6%), “negativamente impactadas pelo contexto adverso do mercado, que condicionou a evolução dos volumes e do mix do produto”, entre janeiro e setembro, as vendas consolidadas caíram 6,8%, para 676,5 milhões de euros.

Sem o efeito da alienação da dinamarquesa Timberman ao conglomerado sueco Volati, concretizada em dezembro de 2024, as vendas teriam caído ‘apenas’ 3,6%. O grupo assinala que a Amorim Cork Solutions, que concentrou os três segmentos “não rolha”, foi “particularmente afetada pela redução da atividade no segmento de pavimentos e pela alteração do perímetro de consolidação”.

O EBITDA consolidado deslizou de 127,6 para 117,6 milhões de euros, pressionado por um “mix de produto mais desfavorável” e pelo “efeito da desalavancagem operacional”. Por outro lado, salienta que “os menores custos e a melhor qualidade da matéria-prima cortiça trabalhada, as eficiências industriais e os benefícios decorrentes da reorganização da Amorim Cork Solutions, possibilitaram compensar aqueles efeitos”, suportando a margem EBITDA nos 17,4% (vs. 17,6% no período homólogo).

Numa mensagem aos investidores, o presidente e CEO António Rios de Amorim fala de um ano “mais desafiante do que inicialmente previsto” a nível global, a juntar à “transformação dos hábitos de consumo de álcool que impõe pressões acrescidas ao setor vitivinícola”. Fez com que a atividade tenha sido “condicionada por este contexto de elevada incerteza e reduzida previsibilidade, com impacto nos níveis de consumo e levando os nossos clientes a adotarem políticas de compra mais prudentes”.

“Os momentos de adversidade representam oportunidades para fortalecer o nosso modelo de negócio e garantir bases sólidas para um crescimento sustentável no futuro. Continuamos a robustecer a oferta, apostando em inovação e desenvolvimento, evidenciando as mais-valias técnicas e de sustentabilidade dos nossos produtos. A redução do nível de endividamento e a proteção da rentabilidade foram também prioridades, tendo-se implementado medidas para otimizar a estrutura de custos e reforçar a eficiência operacional”, sublinha o empresário.

António Rios de Amorim, CEO da Corticeira AmorimPaulo Duarte/Bloomberg 23 fevereiro, 2017

No final de setembro, a dívida remunerada líquida ascendia a 99,2 milhões de euros, isto é, 96,5 milhões abaixo do valor registado no final do ano passado. Uma redução possibilitada pela “forte geração de fluxos de caixa” (153,5 milhões), como destaca a gigante corticeira, apesar do pagamento de dividendos (42,6 milhões) e do investimento em ativo fixo (24,6 milhões) neste período.

No comunicado, o grupo nortenho contabiliza ainda que um incêndio nas instalações da Amorim Florestal em San Vicente de Alcántara (Espanha), a 19 de outubro, resultou em “danos patrimoniais (incluindo edifícios, equipamentos e matérias-primas) e prejuízos decorrentes de lucros cessantes estimados em aproximadamente 7 milhões de euros”. Acionou a apólice de seguro, estando ainda a decorrer o processo de participação de sinistro.

A 30 de setembro, a Corticeira Amorim contava com 4.579 trabalhadores, menos 257 do que um ano antes.

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