Uma em cada quatro empresas sofre “incumprimentos significativos” nos pagamentos em 2025

A fraca evolução da procura está a refletir-se negativamente na tesouraria dos clientes das empresas, cujos níveis de solvabilidade mostram sinais de deterioração, conclui um estudo.

Um quarto das empresas portuguesas sofreram incumprimentos significativos este ano e cerca de 74% identifica uma deterioração nos níveis de solvência ou liquidez dos seus clientes, conclui o mais recente estudo da Crédito y Caución e Iberinform. Além dos problemas anteriores, como a inflação e os custos financeiros, 24% dos clientes das empresas justificam agora os atrasos nos pagamentos com a fraca procura.

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Cerca de 25% das empresas reporta atrasos nos pagamentos, o que representa um agravamento de dois pontos percentuais face aos níveis de impacto alcançados há um ano, segundo com o mais recente estudo de gestão do risco de crédito em Portugal, promovido pela Crédito y Caución e Iberinform, que questionou gestores de quase 300 empresas de todas as dimensões e setores.

O mesmo inquérito revela que 74% das empresas detetam algum tipo de deterioração nos níveis de solvência ou liquidez dos seus clientes. “Uma das novidades de 2025 é que a perturbação provocada pela evolução dos preços é moderada: A inflação é apontada como fator desestabilizador do comportamento de pagamento e solvência dos clientes por 37% das empresas, uma percentagem ainda muito elevada, mas cinco pontos abaixo da registada há um ano”, explica o estudo.

Quanto ao impacto dos custos financeiros, esta variável também evoluiu favoravelmente, recuando sete pontos, para 30% das empresas, e os custos de energia caíram cinco pontos, para 20%.

O elemento novo é a fraca evolução da procura, apontada como fator disruptivo nos pagamentos aos clientes por 24% das empresas. As tensões geopolíticas são citadas por 22% das empresas, os problemas na cadeia de abastecimento por 16% e a incerteza tarifária por 12%.

O estudo conclui ainda que 18% das empresas detetam uma mudança no perfil dos clientes incumpridores devido à inflação e às exportações.

Apesar desta deterioração nos pagamentos, mais de metade das empresas (57%) antecipa um crescimento do volume de negócios em 2025 e 56% antecipa fechar o ano com mais lucros. Só 12% preveem uma descida da faturação e 16% dos lucros.

“O tecido produtivo nacional mostra confiança de que conseguirá manter esta dinâmica em 2026: 61% das empresas portuguesas esperam que os níveis de volume de negócios continuem a recuperar, em comparação com 8% que esperam que o próximo ano seja pior do que este em termos de receitas”, remata o estudo.

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