Crescimento abranda, mas meta de 2% do OE2026 ainda é possível

Indicador terá desacelerado no quatro trimestre, devendo fixar-se em 1,9% em termos homólogos, mas objetivo inscrito no Orçamento ainda pode ser alcançado, estima o Fórum para a Competitividade.

O crescimento económico em Portugal deverá ter desacelerado no quarto trimestre deste ano, devendo fixar-se em 1,9% do PIB na variação homóloga anual, isto é, uma décima abaixo do previsto no Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). Mas ainda é possível atingir a meta de 2% inscrita na proposta orçamental, de acordo com a nota de conjuntura do Fórum para a Competitividade, divulgada esta quarta-feira.

“O indicador diário de atividade, calculado pelo Banco de Portugal, abrandou no terceiro trimestre (ao contrário do PIB) e caiu em outubro. O clima económico, avaliado pelo INE, acelerou no terceiro trimestre, em linha com a evolução do PIB, tendo recuado marginalmente em outubro. Ou seja, é possível que tenha havido algum abrandamento da atividade no início do quarto trimestre, mas não muito significativo, sendo necessário aguardar por mais sinais e indicadores para confirmar esta eventual tendência”, estima a mesma entidade.

As simulações do PIB do para o quarto trimestre mostram que “é mais provável que a média anual de 2025 se acabe por fixar nos 1,9%, mas o valor de 2%, como inscrito no Orçamento de Estado para 2026, poderá ser ainda alcançado”, segundo o Fórum para a Competitividade.

A nível nacional, “há unanimidade das diferentes instituições de que o crescimento em 2026 será ligeiramente melhor do que o registado em 2025”, nota a mesma instituição. A contribuir para esta performance mais positiva está a conjuntura externa, que deverá melhorar, “e esperam-se os primeiros sinais das reformas estruturais que têm vindo a ser anunciadas”, e que podem dar um novo impulso “para um aumento do potencial de crescimento da economia, embora este segundo elemento não esteja a ser incorporado em várias das previsões”, indica.

O consumo continuará a ser um dos principais motores do crescimento económico, “suportado por um apreciável crescimento do emprego, por um aumento dos salários reais”. Mas “já sem alívio fiscal e quase sem redução adicional das taxas de juro”, ressalva.

Em relação ao saldo orçamental, o Governo estima conseguir um excedente em 2025 e 2026, de 0,3% e 0,1% do PIB, respetivamente, um valor um pouco mais otimista do que o das restantes instituições, nota o Fórum para a Competitividade. Esta perspetiva das Finanças “fundar-se-á num crescimento económico superior, bem como na margem discricionária de que o ministro dispõe, que não é incluída nas outras estimativas”.

Na verdade, salienta o Fórum, “o excedente de uma décima do PIB” para 2026 “é muito mais simbólico do que economicamente relevante”. “Mesmo os défices projetados pela Comissão Europeia e pelo Conselho das Finanças Públicas não colocam em causa a trajetória de redução da dívida pública estimada por estas entidades”, sublinha.

A mesma instituição considera “curioso que o FMI esteja ainda mais otimista do que o Governo na redução da dívida e no valor no final de 2026”. “De qualquer forma, o mais importante a salientar é que há unanimidade na antecipação de uma diminuição do rácio da dívida, quer em 2026, quer em 2027 (nos casos em que há previsões). No caso do FMI, esta contração da dívida é para continuar, pelo menos até 2030, último ano das previsões, atingindo então os 77,4% do PIB”, lê-se na mesma nota de conjuntura.

Ao nível das exportações, um estudo do Ministério das Finanças indica que “as tarifas norte-americanas deverão retirar sete décimas ao crescimento” das vendas externas portuguesas, em 2026. No entanto, salienta o Fórum, “também se espera alguma aceleração da atividade na generalidade dos nossos principais parceiros europeus, com a importante exceção de Espanha”.

Dado que o Governo não tem uma base parlamentar maioritária, “as próximas eleições presidenciais, cuja primeira volta ocorre a 18 de janeiro, poderão ter alguma relevância para o quadro governativo dos próximos anos”, alerta o Fórum para a Competitividade.

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