Governo britânico pressiona seguradoras a reforçar investimento no Reino Unido
Com a concorrência de Bermuda e Singapura a apertar como hubs dos seguros dirigidos a empresas, a Chanceler Rachel Reeves chamou as principais seguradoras do mercado de Londres para uma reunião.
Os principais líderes do setor segurador britânico estiveram esta quarta-feira em Downing Street para um encontro com a ministra das Finanças, Rachel Reeves, numa altura em que Londres enfrenta uma crescente concorrência internacional, reportaram vários meios de comunicação. Eram esperados – mas ainda não foi confirmada a presença – do presidente da Lloyd’s of London, Sir Charles Roxburgh, David Howden, líder do Howden Group e os CEO da Hiscox, Aki Hussain, do Convex Group, Paul Brand, pela Swiss Re Andreas Berger, pela Allianz UK Colm Homes, da Beazley Adrian Cox (CEO) e pela Aviva (UK & Ireland GI) Jason Storah.

A reunião surge no momento em que o Governo britânico procura reforçar a posição de Londres como centro global de seguros, enquanto Bermuda e Singapura continuam a conquistar quota de mercado.
De acordo com o London Market Group, o setor segurador representa cerca de um terço da economia da City de Londres e emprega 60 mil pessoas. Apesar da sua relevância, a capital britânica tem vindo a perder dinamismo nos ramos especializados: desde 2014, Bermudas e Singapura têm crescido 9 a 10% ao ano, contra 5 a 6% em Londres, à medida que seguradoras internacionais diversificam operações e bases de capital.
A principal preocupação de Reeves é conter a fuga de investimentos para jurisdições offshore. O mercado de resseguros das Bermudas ultrapassa já os 190 mil milhões de dólares em prémios anuais, enquanto o mercado de seguros gerais de Singapura duplicou na última década. Londres, embora ainda dominante nos riscos especializados, tem registado um crescimento mais moderado.
Com este encontro, a ministra pretendeu convencer as seguradoras a manter mais operações no Reino Unido. O Tesouro britânico espera que a combinação de reformas regulatórias e diálogo político ajude a reforçar a imagem de Londres como um ambiente seguro, estável e rentável para o investimento de longo prazo.
Seguro cibernético em foco
O seguro cibernético foi outro dos temas em destaque. Após ataques recentes a empresas como Marks & Spencer, Harrods e Jaguar Land Rover — esta última sem cobertura de seguro —, o Governo britânico quer estimular o crescimento deste segmento. Fontes do Tesouro indicam que Reeves está aberta a um “diálogo construtivo” com o setor, procurando reduzir custos, simplificar regras e aumentar a penetração junto das PME, consideradas um mercado com elevado potencial face ao aumento dos incidentes digitais.
Os executivos aproveitaram também para pressionar o Governo a acelerar a reforma do regime de certificação de gestores para funções chave das seguradoras, considerado excessivamente complexo e oneroso para as empresas.
O encontro foi visto como um passo estratégico na relação entre o Governo e os serviços financeiros, antecipando o primeiro Orçamento de Rachel Reeves, marcado para 26 de novembro. A ministra enfrenta o desafio de equilibrar competitividade e prudência — simplificando regras sem pôr em causa a estabilidade financeira nem a proteção do consumidor.
O setor de seguros tem assumido um papel cada vez mais importante no financiamento de infraestruturas, projetos de energia renovável e reabilitação urbana, tornando-se peça central na estratégia de investimento do Governo.
Ainda assim, a liderança global de Londres dependerá da capacidade do Tesouro em convencer as seguradoras internacionais de que Londres continua a ser o melhor local para fazer negócios.
Londres é o principal centro mundial de seguros comerciais e especializados, com 180 mil milhões de dólares em prémios em 2023, crescendo 5 a 6% ao ano desde 2014 enquanto Bermuda beneficia da forte procura por resseguros de catástrofe e vida, os prémios passaram de 74 mil milhões em 2014 para 188 mil milhões em 2024 — um crescimento anual médio de 10%. Em Singapura o mercado de seguros gerais mais do que duplicou na última década, crescendo cerca de 8% ao ano, apoiado no seu papel como hub regional offshore.
O avanço destes centros demonstra uma mudança gradual no equilíbrio global do capital segurador. Londres continua a ter o maior ecossistema de talento e infraestrutura de subscrição de riscos, mas enfrenta agora rivais com regulações mais leves e ecossistemas de investimento cada vez mais atrativos.
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