Governo recusa entregar avaliações da TAP ao Parlamento

Gabinete de Joaquim Miranda Sarmento considera que os relatórios contêm informação sensível e que divulgação colocaria os interessados na companhia aérea numa vantagem negocial frente ao Estado.

ECO Fast
  • O Governo recusou entregar ao Parlamento as avaliações da TAP realizadas entre 2023 e 2025, alegando que os relatórios contêm informação sensível cuja divulgação poderia comprometer a posição negocial do Estado no processo de reprivatização.
  • O Ministério das Finanças justificou a decisão com base na Lei de Acesso aos Documentos Administrativos, sublinhando que esta exceção se aplica mesmo aos deputados, salvo em sede de inquérito parlamentar, e protege segredos comerciais e estratégicos.
  • O PCP pediu também a lista de todas as assembleias gerais entre 2015 e 2020, com indicação do peso dos trabalhadores nas decisões tomadas, informação que o Governo remeteu.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O PCP solicitou ao Governo, no final de agosto, os documentos das avaliações da TAP realizadas em 2023, 2024 e 2025, no âmbito da privatização da companhia aérea. A resposta do Ministério das Finanças chegou esta semana e é negativa.

O gabinete de Joaquim Miranda Sarmento justifica a recusa em entregar as avaliações com o argumento de que “os relatórios contêm informação sensível sobre a situação económica, financeira e mesmo estratégica da TAP”.

Considera também que “a sua divulgação forneceria a potenciais interessados em participar no procedimento uma vantagem negocial frente ao Estado que poderia distorcer, e mesmo colocar em causa, o próprio processo de reprivatização”.

Para o Ministério das Finanças, “é precisamente para situações como esta, em que estão em causa quer segredos comerciais quer interesses estratégicos do Estado, que a restrição de acesso está expressamente prevista na Lei de Acesso aos Documentos Administrativos, restrição essa que se aplica aos deputados, salvo em sede de inquérito parlamentar”.

Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, durante o debate do Orçamento do Estado.Lusa

A pergunta ao Governo do PCP é feita no contexto da disponibilização de 5% das ações da TAP aos trabalhadores na reprivatização da companhia aérea, que decorre do artigo 12.º da Lei Quadro das Privatizações. Um mecanismo que para a deputada Paula Santos, autora da pergunta, “tem como único objetivo semear ilusões nos trabalhadores que os levem a uma menor resistência aos processos de privatizações” e que nunca permitiu ter “qualquer poder real de intervenção nas empresas”.

A deputada lembra que o valor das 5% de ações adquiridas pelos trabalhadores no anterior processo de privatização, realizado no final de 2015, foi reduzido a zero na renacionalização que ocorreu na pandemia. O que contrasta com os 55 milhões pagos a David Neeleman para sair do capital da transportadora portuguesa.

Além das avaliações, o PCP pediu também a lista de todas as assembleias gerais entre 2015 e 2020, com indicação do peso dos trabalhadores nas decisões tomadas. O gabinete do Ministério das Finanças enviou a informação das assembleias-gerais da TAP SGPS entre 2015 e 2022.

A participação dos trabalhadores foi sempre residual. Na primeira assembleia-geral em que participaram como acionistas, em 2017, só 0,14% do capital esteve representado. A percentagem chegou a subir para 0,19% em 2018, mas baixou até aos 0,051% em 2019. Nos anos seguintes rondou sempre os 2,6%. Esta percentagem pode incluir outros acionistas além dos trabalhadores, uma vez que passado o período de indisponibilidade estes podiam vender as suas ações.

O Governo aprovou em julho a venda de 49,9% do capital da TAP SA, dos quais 5% para os trabalhadores. Ao contrário do que aconteceu na anterior privatização, desta vez os trabalhadores não vão beneficiar de um desconto de 5% no preço das ações.

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