Cotrim puxa dos galões empresariais em Belém contra crescimento “fraquito”

Candidato a Belém fala em "problemas estruturais" da economia e elevada dependência de fundos externos. Diz que vai "chamar a atenção" do Governo para coisas ou leis "mal feitas".

João Cotrim de Figueiredo, candidato a Presidente da República, durante uma intervenção durante a 10.ª edição da Fábrica 2030, uma conferência organizada pelo ECO na Fundação de Serralves no Porto

João Cotrim de Figueiredo alertou, esta quinta-feira, para o crescimento “fraquito” da economia portuguesa, puxando dos galões empresariais para “chamar a atenção” do Governo para se vir “uma coisa mal feita” ou devolver à Assembleia da República leis que considere “mal feitas”, de propósito, ou de forma involuntária.

Numa intervenção durante a 10.ª edição da Fábrica 2030, uma conferência organizada pelo ECO na Fundação de Serralves, no Porto, defendeu que é função do Presidente da República “chamar a atenção” do Governo se vir “uma coisa mal feita” e atuar “muito antes de usar um veto que poderia ser visto como um corretivo”. E, acrescentou, “só é possível fazê-lo se tiver um mínimo de experiência empresarial para perceber os impactos na realidade” dessa legislação.

Sobre as situações em que não hesitaria a recorrer ao veto, o candidato assegura que não teria pudores em vetar leis que considerasse que foram “mal feitas”, para evitar consequências negativas futuras. Há um tipo de leis que vetaria certamente e em todas as circunstâncias: as leis que estejam mal feitas, garantiu.

O candidato concretizou que o veto poderia acontecer tanto se as leis fossem “involuntariamente mal feitas”, imaginando uma situação em que “tecnicamente está mal feito, que possa ter consequências” futuras, como se as leis fossem “mal feitas propositalmente, para favorecer situações de compadrio ou favorecimento”.

Estabilidade “não deve ser fim em si mesmo”

Sobre as condições para avançar com a dissolução da Assembleia da República, o antigo líder da Iniciativa Liberal disse não concordar com Marques Mendes na “predominância que ele dá à estabilidade”. “Não deve ser um fim em si mesmo. Estabilidade para fazer uma coisa boa, sim. Se estiver alguma coisa a arder e não tentar apagar o fogo…”, ilustrou.

Certo, para Cotrim de Figueiredo, é que só avançará para um cenário de crise político se perceber que “das eleições poderá resultar uma solução política mais estável”. “É o principal critério para a dissolução”, referiu. Ainda assim, o candidato presidencial “gostaria que a dissolução só fosse usada em casos muito excecionais”.

Numa análise à economia portuguesa, João Cotrim de Figueiredo reforçou a divergência de Portugal para a Europa, desde o crescimento do PIB, até à produtividade, passando pelo investimento, ou pelo emprego jovem.

Para o candidato presidencial, o crescimento do produto interno bruto (PIB) é “fraquito” e a “relativa boa performance” que aparenta neste momento face à Europa esconde uma situação de dependência dos fundos europeus e um conjunto de “problemas estruturais”.

“Longe de ser aquilo que se pode designar um milagre económico, a relativa boa performance da economia portuguesa esconde uma situação de dependência e esconde que há um substrato de problemas estruturais”, adiantou o liberal.

Para o liberal, a elevada dependência de fundos externos apresenta um problema já em 2027, ano em que a economia deverá ressentir-se com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência. “As previsões para Portugal para os anos seguintes têm um crescimento para 2026 muito superior a 2027, porque estamos a acabar o PRR“, destacou, explicando que estas previsões mostram que o país “depende do que são transferências externas”.

Quanto ao emprego, Cotrim de Figueiredo avisou que, apesar de os números gerais estarem “bem”, quando se olha para o emprego jovem já não é assim: o desemprego jovem é de 19% em Portugal, muito acima da média europeia que são 14%. Isto deve-nos dar motivos de preocupação e justifica em parte o fenómeno da emigração”.

Outro dos problemas apontados pelo candidato presidencial é a produtividade, que praticamente não cresceu nas últimas duas décadas. “Sem produtividade não vai haver ganhos de salário”, avisa.

SNS é “permanente triturador de ministros”

João Cotrim de Figueiredo, candidato a Presidente da República, durante uma intervenção durante a 10.ª edição da Fábrica 2030, uma conferência organizada pelo ECO na Fundação de Serralves no Porto

Já no que diz respeito à situação do Serviço Nacional de Saúde, João Cotrim de Figueiredo sublinha que “a forma como o SNS está organizado hoje nunca terá solução e será um permanente triturador de ministros”, mas adverte que a decisão de dispensar um ministro é do primeiro-ministro em funções. “Nunca demitirei ministros em público, isso é claro”, prometeu.

Quanto às instruções para otimizar a despesa no setor da saúde, o candidato apoiado pelos liberais diz que será “o último a dizer que não há espaço para cortar num orçamento de 17,3 mil milhões de euros, mas, como Presidente da República, [será] o último a dizer que é para cortar naquelas compressas ou naqueles exames de diagnóstico”.

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